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Lana Del Rey – Born to Die (2012)

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Falem bem, falem mal, mas falem de Lana Del Rey. Todos nós sabemos, e acredito que não seja motivo de discussão, que a nova-iorquina de 25 anos foi um dos nomes mais comentados no mundo da música em 2011, a menina dos lábios lascivos e voluptuosos chegou com apenas um single e já foi classificada pelos mais exaltados como a mais nova “diva” da música pop. Até então com um insondado disco de estreia , o ainda pouco conhecido Lana Del Ray A.K.A. Lizzy Grant, a Nancy Sinatra gangsta despontou mundo afora com o seu vídeo caseiro do single “Video Games” lançado no ano passado. A voz rouca, o clima nostálgico do clipe sustentado pela imagem enigmática de Lana: uma imagem tímida, mas sensual; blasé, mas popular. Tudo contribuiu para que criassem uma personagem em torno de Lana, o espírito misterioso da cantora, a sensualidade clássica à lá pin-up-cinema-noir, tudo caiu como uma luva para um público saturado de cantoras cada vez mais uniformes no universo atual da música pop. Pois bem, tudo a princípio deu – e muito – certo, o single “Video Games” foi um dos grandes lançamentos do ano passado e faixas como “Blue Jeans” e “Off to the Races” ajustavam-se com essa persona supostamente criada para Lana Del Rey.

Seria tudo devidamente perfeito se Born to Die não conseguisse destruir quase que por completo essa frágil máscara de vidro e deixasse evidente a falta de identidade e imaturidade da jovem cantora. Lana Del Rey parece não saber o que quer e atira para todos os lados como uma criança desajustada e facilmente manipulada querendo fazer parte de algum grupinho escolar; Born to Die é repleto de afetações e repetições que enjoam, um excesso de produção a tentar transformá-la em algo de “fácil” audição (lê-se produção barata com um pé no rap/hip-hop e refrões pobres e exaustivos), como no caso da sofrível “Diet Mtn Dew”, uma canção sem pé nem cabeça – de longe a pior do disco – e enfeitada aos montes para tentar disfarçar a sua mediocridade. Born to Die é tão medíocre que consegue fazer do primeiro disco de Lana uma obra-prima. Em “National Anthem” – outra faixa terrível – Lana assume o papel pop-besta em uma postura no estilo “Born in the USA.” com refrões maçantes, risíveis e com um prólogo sem medo de soar como uma cópia, só que mais concisa, de “Bitter Sweet Symphony” do Verve: “O dinheiro é o hino do sucesso. Então, antes de sairmos, qual o seu endereço? Eu sou seu hino nacional. Deus, você é tão lindo” – canta a versão feminina do Capitão América. Muita pretensão e soberba para alguém que acabou de aparecer no mundo música, não?

Nancy Sinatra, Britney Spears, Cat Power… Lana Del Rey, queremos saber: quem é você? Seja uma só, mas seja verdadeira, ou melhor, seja você! O pouco de personalidade que o disco sustenta prevalece em suas melhores canções – as óbvias “Video Games” e “Blue Jeans” – e na faixa que dá nome ao álbum: “Born to Die”. “Summertime Sadness” talvez seja um outro ponto alto do disco, mas a mesma é semelhante às demais citadas e não acrescenta nenhuma novidade ao álbum, o resto é completamente mediano e inexpressivo. Fica evidente um excesso que incomoda, uma produção carregada a tentar imutar a imagem de Lana Del Rey em algo muito mais colossal do que ela aparenta ser; não que isso seja errado, é que às vezes simplicidade pode muito bem ser algo majestoso. Isso sem falar no nítido desconforto da moça em suas últimas apresentações ao vivo, o que só deixa ainda mais aparente a sua falta de afinidade para com situações que exigem maior atitude e personalidade de uma cantora, coisa que ela parece ter perdido em diversas faixas desse seu segundo álbum de estúdio. É até difícil pensar em uma apresentação menos intimista da Lana, a mesma não tem – e isso não é demérito algum – a atitude de uma Britney bitch da vida, fica falso tentarem empurrar isso pra gente; talvez ela encontre a sua verdade em algo muito mais simples e natural do que em algo megalomaníaco. Born to Die nasceu, mas os seus míseros e singelos suspiros de vida não conseguiram mantê-lo vivo por muito tempo, e ele – precoce – morreu.

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Publicado às 15/12/2012 por em Música, Resenhas e marcado , , .

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