Papel Cult

Skrillex – Leaving (2013)

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Às vezes parece que, para cada prós artístico, existe um respectivo antagônico aleatório para compor um cenário igualmente casual, seja no mundo da música ou em qualquer outro espaço, sempre existirá um representante adverso a um suposto modelo real e idealizado. Um modelo correto, não pela massa, mas pela minoria. Minoria que se acha unanimidade, e o conceito de Nelson Rodrigues nunca me pareceu tão insignificante. Simpsons e Family Guy, Chaplin e Keaton, Muse e Radiohead, Explosions in the Sky e Godspeed You! Black Emperor e, por que não? Skrillex e Burial. Polos que separam o conteúdo artístico de ambos os exemplos citados são covardemente nivelados em seu aspecto qualitativo sem o mínimo de fundamento inteligível, toneladas e toneladas de subjetivismos fantasiados de verdade que, na realidade, não passam de puro elitismo burro.

E é engraçado quando um conteúdo artístico ou o seu regente são condenados e podemos perceber que o real motivo dessa sentença é a própria ojeriza gratuitamente refletida. Skrillex causou espanto quando, em entrevista à Pitchfork, declarou o seu  apreço por Alphex Twin, Justice e Daft Punk. Espanto esse que, na verdade, não deveria existir. Nos momentos menos agressivos e repletos de testosterona que permeiam o seu primeiro EP, ou mesmo no controverso Scary Monsters and Nice Sprites, Skrillex remete vagamente aos artistas citados na entrevista. A sensibilidade pop (e rock) de Sonny Moore transparece perfeitamente quando o DJ mescla elementos house crescendo às suas raízes rock dos tempos de With From First to Last, assim como os franceses do Daft Punk ao mesclar retalhos da música pop à house music.

Em Leaving, Skrillex finge discretamente se desvencilhar de toda essa imagem construída principalmente a partir dos seus dois primeiros EPs, mas Sonny Moore falha, e falha grotescamente. Se em Scary Monsters os momentos de êxtase eram viciosos e, ainda que sob um aspecto brega, a sua sensibilidade em criar melodias pop era algo contagiante e indiscutivelmente notável, ao tentar reproduzir de modo mais fidedigno toda a profundidade tão cobrada pelos seus repressores, Sonny Moore acaba criando uma obra que sequer lembra a sua festividade rave de outrora e pouco cativa pela profundidade frágil de uma “The Reason”. Skrillex finge mudar, mas ainda com medo da repulsa que já existe em torno de sua figura. Por isso Leaving está longe de ser uma redenção que, efetivamente, nem é necessária.

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Publicado às 03/01/2013 por em Música, Resenhas e marcado , , .
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