Papel Cult

Daniel Romano – Come Cry With Me (2013)

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Nota: 6.4

Daniel Romano é o modelo perfeito e personificado da expressão popular “Eu nasci na época errada”, da figura excêntrica e tipicamente country (country tradicional, acredito que ele acharia importante essa ressalva) que estampa a capa de Come Cry With Me, respectivamente o seu terceiro disco, o músico canadense não parece, em momento algum, preocupado em tentar esconder o seu sentimento saudosista que permeia as dez faixas de puro lamento caipira desse seu mais recente álbum. Em contra partida às inúmeras bandas que, incessantemente, tentam revitalizar um dos gêneros mais populares dos Estados Unidos com a sua maquiagem jovial e contemporânea de alt-country, Daniel Romano pouco esboça essa motivação de ruptura com as raízes, ou até mesmo busca encontrar um meio termo entre o inveterado e o moderno, a sua resposta já está visualmente mais do que evidente em seu aspecto fora de contexto.

Cada faixa de Come Cry With Me tenta ser o retrato fidedigno de uma época, de um local, dos Apalaches, de Hank Williams, Willie Nelson… o compromisso de Daniel Romano é, obviamente, com o passado. Isso é claro. Contudo, se por um lado esse afeto de Daniel transmite – aos seus olhos nostálgicos – um culto sincero e sem trejeitos transcorrido à música country, no êxito o que realmente fica solidificado é o traço de uma obra inofensiva que inocentemente aparenta viver às custas de uma emulação aos poucos passos de uma paródia involuntária. Assim como o We Are the 21st Century… do Foxygen, Daniel Romano está mais preocupado com a base de seu conteúdo do que propriamente com o seu resultado autoral. Bem como o duo californiano, Come Cry With Me – é verdade – tem momentos graciosos de puro tato musical, porém sem o mínimo de identidade.

A New Love (Can Be Found)” – na crueza dolorosa de sua versão ao vivo – enfim consegue nos arrebatar verdadeiramente ao desfecho de Come Cry With Me, esse último já acomodado ao longo do caminho em sua condição de disco-tributo. “A New Love (Can Be Found)” adquire algo que todas as outras nove canções apenas incitam no padrão normalizado e sem o carisma de seus mentores. Na privacidade da voz e violão o disco ganha pulsação própria, no lamento do acorde, apenas Daniel e público, na ação e reação de sentimentos, em sua real plenitude… Daniel Romano, pela primeira vez, em seu ultimato, finalmente nos faz querer chorar com ele, mesmo que aparentemente não vejamos mais motivos para isso.

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Publicado às 12/02/2013 por em Música, Resenhas e marcado , , .
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