Papel Cult

Gang do Eletro – Gang do Eletro (2013)

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Nota: 1.7

Costumo classificar como “bundamolização da crítica nacional” essa atitude laboriosa dos críticos em tentar, a qualquer custo, emplacar o regionalismo da música brasileira. Do forró ao frevo, do funk carioca ao tecnobrega (tecnomelody, como queira), o cenário nacional aparenta cada vez mais essa necessidade ascorosa, esse vício plastificado e repulsivo da necessidade aflitiva de vomitar o nosso nacionalismo musical, essa busca vergonhosa em transparecer um compadecimento com ritmos regionais ou neo-marginalizados, um silogismo tão bobo e contraditório quanto o seu questionamento pobre acerca do que é “preconceito musical”. Pois pergunto: isso realmente é preconceito? Pois eu mesmo respondo: não, não é. O convencionalismo está na mesma atitude porca travestida de modéstia, no enaltecimento honorário com medalha de lata que a crítica nacional insiste em enfiar goela abaixo e introjetar na mídia e público que, igualmente compassivos à tamanha indigência e mendicância  musical, aceitam como bons (e bobos) samaritanos que são.

O tecnobrega, assim como o funk carioca, é música eletrônica (óbvio, com as particularidades de gênero), mas ainda assim trata-se de música eletrônica. E sejamos diretos: música eletrônica da mais miserável possível. Bases repetitivas, beats genêricos, letras capengas, a mediocridade submerge à simples condolência de acrescer o que é supostamente profano, mas que na verdade é ordinário e que todos negam a sua efetividade sórdida em troca de compaixão estúpida. Também acho que não é necessário explicar que não assimilo letras ruins a letras obscenas sobre sexo, violência, drogas ou seja lá o que for, se você interpretar este texto sob tal assimilação burra e simplista, ou pior, se você ainda simpatiza dessa visão idiota e limitada de arte, por favor, eu peço cordialmente que saia daqui e pare de ler o meu blog. Também não confunda simplicidade com mediocridade, aqui o real predicado não reside apenas no que é complexo, transcendental, o que for! O mesmo vale para o contrário: o pobre, o precário, o imundo… Afinal, o lixo também pode ser luxo.

O apreço fidedigno está naquele que usufrui de ambos (seja complexo ou modesto) sem que permeie no limite do irrisório, todavia, assim como o caricato, o que é sério também pode ser ridículo – tá aí a cena Studio SP que se leva tão a sério e esbarra na mesma ridicularia. É inegável o impacto cultural e mercadológico do tecnobrega ou do funk carioca, o que está em jogo aqui não é o teor cultural dos mesmos e, sim, o que eles fazem com tal conteúdo. Se isso é sólido ou não, se fica somente no jocoso. Por isso tecnobrega, funk carioca, entre outros ritmos bairristas permanecem no seu devido caráter inferior, quase sempre jocoso, piada que – também sejamos coerentes – vez ou outra encontra a sua harmonia e faz graça genuína a demonstrar o mínimo de maturidade artística, ainda mais quando segmentada e utilizada unicamente como acessório – M.I.A. sabe bem disso, mesmo que eu ache extremamente picareta em certos momentos. E a piada não está necessariamente no “fazer humor”, letras cômicas etc., o pior é quando a graça é involuntária, o que ocorre com bandas como CSS e com esse disco da Gang do Eletro.

Filhote da cena engraçadamente triste que assola atualmente as raízes da nossa música, espetáculo onde prevalece uma ironia já desgastada e que nem é tão nova assim, remoque que teve os seus primórdios lá na vanguarda paulista com o grupo Língua de Trapo e que, posteriormente, foi disseminada pelos garotos do Mamonas Assassinas a finalmente encontrar a sua veia cava com a tontice do Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê. Os paraenses da Gang do Eletro são apenas mais um coiote nessa enorme corrida clandestina que é conquistar um lugar bacana na vitrine do Capitão América – e parece que eles já estão conseguindo. A exemplo da Banda Uó – que por incrível que pareça é bem menos dissimulada -, o pessoal da Gang do Eletro veste uma pele por cima de outra, um uniforme futurista à lá Tron por cima do de couro, uma casca eletrônica por cima da pele indígena com tinta cintilante que estampa a capa do disco. O carimbó encontra a música eletrônica, o índio encontra um sintetizador e dá flechadas nele por não saber usar.

O grupo tenta a todo custo provar que é hi-tech com o seu Windows 95. É ridículo, não há um momento sequer que esse debut do grupo não soe antiquado – e é bom ressaltar que o antiquado aqui não é vintage com filtro do Instagram da Banda Uó, por mais que ele queira ser. Mas já chega! Fica aqui um resenha propositadamente cretina para um disco igualmente cretino, nunca me pareceu tão fácil ser idiota e receber aplausos por isso, a idiocracia é cada vez mais prevalecente.

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Publicado às 06/05/2013 por em Música, Resenhas e marcado , , .
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