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Recomendado: Willy Moon

Willy-MoonA minha recomendação de hoje é uma dica não-dica, se é que posso ser claro com esse comentário, mas é que se trata de uma dica da qual não gostei genuinamente do disco. Enfim, mais pra frente eu explico. Falemos para tentar descomplicar. Uma das tags  que definem o som – ou o gênero musical, como queira – do jovem Willy Moon, em sua página do Last.fm, é a seguinte: born in the wrong decade, o que em bom português – acredito que todos saibam – seria como “nascido na época errada”. Sabe, aquela banda/cantor que parece ter saído aleatoriamente do século retrasado com o auxílio da cabine policial do Doctor Who? Então, esse é o Willy Moon.

Não é de hoje que essa reverência ao passado se encontra tão em alta, entretanto nunca vivenciamos um número tão absurdo de artistas que incessantemente buscam transparecer isso como se, efetivamente, vivessem à parte de uma realidade atemporal. Só esse ano podemos citar o baile da saudade do Daft Punk e o seu acesso aleatório de memórias synth funk, o psicodelismo de Instagram do Foxygen, a experiência soul futurista do épico sophisti-pop que Justin Timberlake nos dá em 20/20 Experience, o cancioneiro jeca de Daniel Romano que eu até já falei aqui no blog… enfim, são inúmeros, incontáveis, incalculáveis os exemplos desse asilamento glorificado que a música vive atualmente.

moon_0Mas por que diabos então estou eu, aqui, a indicar mais um desses produtos fora da validade e que gostam tanto de ostentar a sua natureza antiquada? Ora, porque nenhum deles conseguiu ser tão obsoleto quanto o Willy Moon com esse seu álbum de estreia: Here’s Willy Moon. Willy, a exemplo do legítimo cowboy Daniel Romano, pouco se importa com os seus maneirismos e trejeitos, ele realmente vive aquilo, ainda que musicalmente o álbum seja de extrema instabilidade, Willy Moon consegue nos ganhar pela insistência.

Pensamos: esse cara não existe, certo? Certo, não existe mesmo. Existe somente para ele, no mundo dele. Willy Moon se vê o próprio Buddy Holly versão pós-moderna e, claro, nem mesmo chega perto do icônico músico de óculos de armação grossa. Ainda assim ele acredita e vai, sem medo. Willy Moon me parece mais aquelas bandas que viviam à margem dos artistas de massa, uma espécie de Monkees para os Beatles, sabe? É engraçado, diverte por um momento, nos ganha pela simpatia.

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Willy Moon pode carregar esse enfado de ser uma versão do que supostamente seria uma variante menor de um artista idolatrado no auge do rockabilly ou do pop rock iê-iê-iê, mas o rapaz consegue – ainda que em poucos momentos – mostrar que possui luz própria, você escuta “I Wanna Be Your Man” e a música a princípio entra por um ouvido e sai pelo outro, mas depois de um tempo ela surpreendentemente retorna e você se pega cantarolando o refrão. O moço franzino e de cabelo lambido tem uma sensibilidade pop escondida e ainda tímida nessa aparente piada velha que acha graça da própria velhice. Não me surpreenderia futuramente com algo realmente bom feito por essas mãos de quem toca guitarra na linha do umbigo. De qualquer forma, fiquem de olho nele.

Ficha

Artista: Willy Moon.

Ano: 2013.

Disco: Here’s Willy Moon.

Gênero: Pop Rock/Rockabilly.

Origem: Nova Zelândia.

Onde escutar: Myspace e Soundcloud.

Um comentário em “Recomendado: Willy Moon

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Publicado às 30/05/2013 por em Música, Recomendado e marcado , , .
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