Papel Cult

On Play: Julho

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Mais uma seção que achei que seria legal criar aqui no blog na tentativa de expor um pouco daquilo que escuto durante o mês, pode ser um disco incrível ou uma bela de uma porcaria. Assim como os artistas que indico nas recomendações, no On Play não haverá nota, apenas um breve texto quase sumário sobre o álbum – ou não, também posso discorrer uma monografia sobre o mesmo, mas juro tentar me conter. E, há! Os discos também não precisam ser recentes. Bom, é isso.

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Pop Levi – Never Never Love

Ano: 2008

Origem: EUA

Gênero: Pop Rock/Glam Rock

Tenho o Pop Levi como um dos artistas pop mais subestimados da atualidade, não tem Mika, não tem Justin Timberlake, não tem Jamie Lidell que faça o que esse rapaz andrógino faz – bem, podemos pensar no caso do Lidell, afinal o seu mais recente álbum é ótimo, enfim. O que mais me atrai em Levi é notar como o talento e a sensibilidade musical evidente dele não deixam em momento algum transparecer pretensiosismo em seus discos. Esse Never Never Love, por exemplo, de início passa um espécie de afropop com batidas tribais contagiantes, depois assume descaradamente o puro glam rock simplista dos anos 70, da sensualidade de um Robert Plant e David Bowie a chegar no synth funk oitentista dançante de Prince em Sign o’ the Times e 1999. Também é notável um pé na psicodelia acessível dos Beatles em certas faixas, como ocorre na belíssima “Semi-Babe”, assim como as baladas dos meninos de Liverpool também podem ser identificadas em “Calling Me Down”. Pop Levi se diferencia por não querer ser diferente, ele é o melhor no que a simplicidade pop pode oferecer, uma pena que seja tão desconhecido.

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Airto Moreira – Promises of the Sun

Ano: 1976

Origem: Brasil

Gênero: Jazz Fusion

Airto Moreira é sem dúvida um dos maiores artistas que nos temos na história da música brasileira, assim como um dos mais injustamente esquecidos. Integrou, junto com Hermeto Pascoal, Theo de Barros e Heraldo do Monte, o Quarteto Novo, grupo que fazia uma interessante mistura de samba com jazz, baião e outros ritmos regionais da música nacional, a banda lançou somente um disco homônimo em 1967, um dos melhores discos dos anos 60. Em carreira solo lançou inúmeros álbuns, sendo Seeds on the Ground o mais notável, em Promisses of the Sun o latin jazz de Airto não é tão cativante quanto dos tempos de Quarteto Novo, ou mesmo em seu Seeds on the Ground, mesmo assim ainda tem os seus bons momentos como o que acontece na faixa título no mantra regido pela voz inconfundível do mestre Milton Nascimento.

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Thy Catafalque – Tűnő Idő Tárlat

Ano: 2004

Origem: Hungria

Gênero: Avant-Garde Metal

Mais uma ótima banda e um excelente disco que o black metal tem me proporcionado nos últimos anos.  Thy Catafalque se junta a Abu Lahab, Paysage d’Hiver e ao Sigh como uma das figuras que ditam os novos caminhos do metal extremo, estabelecendo de vez o que seria uma espécie de post-black metal. Mas diferente das bandas de blackgaze que nos últimos anos inundaram a cena do gênero, Catafalque se apoia na música ambiente e na eletrônica, alguns prelúdios criam um clima curiosamente dançante, envolvendo em uma atmosfera de estranhamento e ruptura com a crueza rústica do black metal, e é bom lembrar que nada aqui tem um aspecto lo-fi, pelo contrário, Tűnő Idő Tárlat é extremamente bem produzido, sempre com faixas extensas que imergem o ouvinte em uma viagem até então ameaçante e ofensiva que a dance music ainda oferece ao black metal, Tűnő Idő Tárlat transita como poucos na fronteira da ordem e da anarquia que o gênero propõe tão bem.

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Stromae – Cheese

Ano: 2010

Origem: Bélgica

Gênero: Pop/Nouvelle Chanson

Caras como o Stromae me fazem ter orgulho de gostar bem mais da eurodance do que de qualquer coisa vinda da dance music maçante norte-americana, o jovem belga se utiliza dos arremedos do electro-house farofa e faz disso uma obra elegante e ao mesmo tempo festiva, consegue criar um ambiente lounge com algo completamente inabitual para o gênero, assim como não deixa de atribuir um contexto mainstream à sua música. Cheese é um disco viciante, impossível não ficar com o refrão chiclete de “Peace or Violence” ou “Alors on Danse” na cabeça. Stromae certamente é um dos nomes mais interessantes não só da nouvelle chanson como, também, da eurodance. O cantor belga já é um sucesso na europa, mas com certeza merecia toda atenção dos ouvidos do mundo. A minha ele já tem.

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Publicado às 12/08/2013 por em Música, On Play e marcado , , , , , .
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