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Bas Jan Ader – I’m Too Sad to Tell You

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“I’m Too Sad to Tell You” é um curta, de pouco menos de 4 minutos, feito e protagonizado pelo artista conceitual Bas Jan Ader. Durante todo o vídeo Bas não expressa ao menos uma palavra, assim como não há trilha, muito menos cenário, há somente ele, um enorme vazio e a certeza de uma dúvida, do escrúpulo explanativo que permeia a mente de Bas e que, consequentemente, impossibilita a sua comunicação com um então agente passivo da arte que ele manifesta.

Talvez por isso seja tão complicada e distante a mensagem que Bas tenta passar nesse seu experimento sensitivo, se é que há algum tipo de mensagem no que o artista propõe de maneira enigmática e aflitiva; pois nem mesmo há como acometer uma resposta pela empatia de quem o observa agonizante em meio às lágrimas de desalento, assim como possivelmente tenha sido essa a real intenção de Ader: calar-se da forma mais gélida e cruel, onde a brecha para qualquer reciprocidade emocional e estética seja nula em um afronte tão grande e displicente que o seu suposto tormento existencialista resista em exílio afetivo.

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Bas Jan Ader se perdeu no mar em 1975 quando novamente tentava se expor como força motriz de sua obra. Lançou-se no Atlântico a bordo de um barco de pequeno porte como parte de uma nova performance artística intitulada “In Search of the Miraculous”. Posteriormente, com três semanas em alto mar, o artista cessou contato com o rádio comunicador da embarcação. Resultado: Bas calou-se mais uma vez. Sem motivos, sem explicações. Dez meses após o seu desaparecimento, já dado como morto, apenas o barco de Ader foi encontrado flutuando ao sudoeste da costa irlandesa, o corpo do artista nunca foi identificado.

A mãe de Bas, Johanna Adriana Ader-Appels, escreveu um poema chamado “From the deep waters of sleep” no qual relata o que seria uma suposta premonição que tivera sobre a morte do filho. Como se, desde o início, o objetivo, o escopo artístico de Bas fosse justamente esse: desaparecer, silenciar-se para sempre em sua acepção artística e agora mundana. Como se essa fosse a sua obra final, o seu adeus, novamente sem pronunciar uma palavra, uma expressão de auxílio, uma resposta… deixando somente lágrimas; no entanto, lágrimas agora de uma lamúria que impregna somente os rostos alheios, pois as de Bas foram colidir no milagre das águas do Oceano Atlântico.

“From the deep waters of sleep

I wake up to consciousness

I feel my heart beating too.

It will go on beating for some time.

Then it will stop.

I wonder if the little heart

that has beaten with mine

has stopped.

When he passed the border

of birth, I laid him at my

breast,

Rocked him in my arms.

He was very small then.

A white body of a man, rocked in the arms of the waves,

Is very small too.”

Poema de Johanna Adriana Ader-Appels, mãe de Bas Jan Ader.

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Publicado às 24/11/2013 por em Cinema e marcado , , .
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