Papel Cult

Melhores discos de 2013

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Finalmente, após a lista de piores, eis aqui a minha lista dos melhores discos que escutei nesse ano de 2013, e como disse na versão negativa da lista, não tenho muito o que lamentar já que esse ano foi um dos mais incríveis para a música, há muito tempo não me surpreendia tanto com lançamentos como me surpreendi em 2013. Pois, nessa lista, enumero os 50 melhores álbuns que escutei ao longo do ano, também comento sobre os 10 primeiros colocados – assim como na lista de piores. Também, do mesmo modo, se repete o conceito e fórmula que uso em todas as minhas listas: top 50 com os nome dos discos seguidos da nota que atribui a cada um deles, depois do top 50 listarei as menções honrosas, também devidamente notificadas. Pois então, vamos ao top 10 comentado seguido da lista completa.

*Nota de edição: esta lista foi alterada, em 13/06/2016, em função do conhecimento tardio de que o álbum Clara Altantsegtseg, do duo francês [bleu], na realidade, fora lançado originalmente na versão CD em outubro de 2012, e não em 2013, como pensava. Portanto, como ele constava, até então, como melhor disco de 2013, o alterei para 2012.

Também irei escrever, mais tarde, a respeito do Cień chmury nad ukrytym polem, álbum do  Stara Rzeka, que agora passa a ocupar a posição de número 10 da lista de melhores de 2013.*

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9. Keiji Haino, Jim O’Rourke & Oren Ambarchi – Now While It’s Still Warm Let Us Pour in All the Mystery

Mais uma excelente colaboração em que o músico Keiji Haino está presente, esse ano também tivemos o Jo Ha Kyu e sua interessante análise da arte nipônica sob o conceito de modulação e de movimento que dá nome ao disco, conceito esse que é aplicado em diversas artes japonesas tradicionais, como a poesia, o teatro e as artes marciais, disco que contou com Gaspar Claus como o seu principal maestro e com figuras importantes da música japonesa, como Ryuichi Sakamoto (ex- Yellow Magic Orchestra). Pois o ótimo time se repete nesse Now While It’s Still Warm Let Us Pour in All the Mystery, Keiji Haino se junta novamente com grandes figuras da música experimental – Jim O’Rourke e Oren Ambarchi – para fazer, pela terceira vez colaborativa, o que ele sabem fazer de melhor: explorar e extrapolar a música além do trivial. Mas engana-se quem espera um completo caos de guitarras aos quatro ventos nessa recente cooperação dos músicos, na verdade o noise, ou melhor, o harsh noise é quase inexistente nos primeiros momentos do disco, demora um bom tempo para acontecer um riff mais abusado de guitarra.

O álbum abre em uma atmosfera ambiente com Keiji Haino emanando quase que um mantra envolto em dedilhados simples de guitarra que ajudam a contornar o vocal de Keiji em ondulações psicodélicas e narcóticas, instaurando o seu já consciente e imersivo êxtase heavy psych, algo que Keiji Haino sabe fazer como poucos, mesmo que de modo involuntário em seu free improvisation que mais parece perfeitamente arquitetado. O disco segue na mesma proposta soft-noise até tomar proporções mais selvagens a partir da terceira faixa, quando uma percussão rítmica acompanha os solos estridentes de Keiji Haino, o mesmo se repete de modo absurdo e contagiante na quarta faixa do disco e até o seu desfecho. Gravado no SuperDeluxe, um concerto que acontece anualmente em Tóquio, o trio criou uma obra de música livre, como de costume, com peças martelares de improvisação que se encontram em um caos que mais parece premeditado tamanha a harmonia entre os seus regentes.

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08. Altar of Plagues – Teethed Glory and Injury 

2013 não foi lá um grande ano para o black metal, ao menos não como eu esperava. 2012, esse sim, foi um grande ano para a vertente enegrecida do heavy metal. Com discos mais abusivos e extravagantes, como In Somniphobia e Humid Limbs of the Torn Beadsmano ano passado foi um celeiro de obras incríveis para o gênero, no entanto, mesmo com toda  a escassez criativa que o metal extremo presenciou em 2013, Teethed Glory and Injury se sai como uma ótima exceção no meio de poucas obras que se sobressaíram (insira aí, novamente, os inúmeros lançamentos de Abu Lahab, uma das figuras mais enigmáticas do black metal experimental nos últimos anos, e também nomes interessante como Peste Noire, Verwüstung e Perseverance, ambos com propostas antropofágicas do movimento a mergulhar o black metal em outros horizontes).

Pois o terceiro álbum de estúdio dos irlandeses consegue ser quase que um registro enraizado do gênero, mais tradicional e tudo mais, assim como – também – um manifesto da face mais extrema e grandiloquente do heavy metal, o que lhe faz ser tão ousado e desafiante quanto um In Somniphobia ou Humid Limbs of the Torn Beadsman. Em leve flerte com o que seria um embrião de sludge metal e pequenas fagulhas de música eletrônica, sendo excepcionalmente a música industrial, o Altar of Plagues faz desse seu recente álbum um núcleo de fúria e misantropia que se alastra durante as faixas do disco em uma acepção semelhante a de um disco de post-rock. A estética não muito extravagante do álbum, como dito anteriormente, mesmo assim consegue uma libertação sublimativa tão grandiloquente quanto a de uma obra mais exorbitante de avant-garde que escutei no ano passado, pois Teethed Glory and Injury certamente é o melhor álbum de black metal que você deveria ter escutado em 2013.

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07. Daft Punk – Random Access Memories 

O disco que conseguiu estabelecer um meio termo entre o clássico e o contemporâneo, Random Access Memories veio para comprovar muito mais do que a sensibilidade pop que o duo francês consegue atribuir a cada novo trabalho lançado, algo que eles já haviam nos apresentado duas vezes em sua discografia: em Discovery, com o revivalismo da house music, e no controverso Human After All, com o seu synth-rock minimalista. RAM expôs o perfeccionismo arquitetônico que os robôs franceses possuem, evidenciou todo o cuidado artístico de um disco que beira o absurdo em suas minúcias de produção e composição. Entre uma levada e outra do minimal funk rotativo de “Lose Yourself to Dance”, uma canção que surpreendente é apenas refrão após refrão, uma faixa que parece crescer a todo instante, mas que nunca sai do lugar, como uma jukebox velha que emperrou na melhor música, na melhor parte.

O mesmo ocorre no spoken word banhado em guitarras hard rock da faixa que homenageia Giorgio Moroder, uma brilhante mistura contrastante de lounge e rock arena, assim como na disco music amalucada em falsetes exagerados de Julian Casablancas em “Instant Crush”. O Daft Punk conseguiu fazer algo imensamente diferente e curioso aqui, a dupla basicamente redefiniu o que conhecemos, ou melhor, conhecíamos como easy listening, Thomas e Homem-Christo reformularam um estilo tido como inofensivo musicalmente, os robôs pegaram a casca fina e quebradiça que a música lounge possui para encorpá-la e fermentá-la em situações, gêneros e estilos inabituais para o easy listening, algo que conseguimos notar melhor na viagem estilística que é a faixa “Touch”, essa que, a princípio, parece ser somente uma das músicas menos instigantes do álbum com o seu semblante retrógrado e temporal.

No entanto, “Touch” representa justamente essa habilidade da dupla em transformar o que seria apenas uma simples canção casual, de discoteca, em uma viagem space rock sem precedentes digna de um álbum grandiloquente de rock progressivo. Ao termino de RAM, ficamos com a certeza do vasto e belo conhecimento musical que o Daft Punk possui, da inteligência que a dupla tem para criar um disco repleto de insights incríveis e que dão vida a uma obra quase que conceitual; pois ninguém conseguiu, em 2013, um renascimento tão preciso da música banhada em nostalgia quanto esse que escutamos em Random Access Memories, um disco atemporal e que incrivelmente dialoga com todas as épocas.

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06. Jamie Lidell – Jamie Lidell

Demorei um bom tempo pra notar a força desse mais recente álbum do Jamie Lidell, a princípio tinha caído no mesmo abismo interpretativo de muitos ao tratá-lo como mais um revival, mais um disco-homenagem que tanto presenciamos nesse ano: Random Access MemoriesWe Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic e The 20/20 Experience são alguns dos exemplos do baile nostálgico que contaminou a música em 2013. Mas não, ele não é (só) isso. “Só” porque ele, sim, também funciona como um angariamento de inúmeros gêneros, ícones e períodos da história da música; no caso, em particular, o synth funk e a soul music dos anos 70/80. Mas esse disco homônimo do Lidell não se limita à emulação automática e ao reverencialismo desregrado e gratuito que a maioria desses discos-homenagem estabeleceram de modo presunçoso (exceto pela obra dos franceses do Daft Punk), o álbum do Lidell é muito, mas muito mais forte do que isso.

Não gostaria de comparar, mas acredito que seja inevitável: Justin Timberlake, esse sim, com o seu enfado de poucos bons momentos, o The 20/20 Experience, como disse anteriormente, pertence ao grupo que citei. Diferente da tentativa de epopeia neo-soul que Justin propôs em 20/20, Lidell pouco está preocupado em soar grandioso em seu disco, o compromisso dele, inicialmente, é apenas entreter, não há faixas e mais faixas gigantescas e chatas que se perdem depois de um tempo, não há exibicionismo fastidioso; existe, sim, a distração de Lidell que involuntariamente pode soar presumido pelos exageros que o disco nutre de forma propositada.

Pois foi aí que me eclodiu a epifania de constatar a veemência de Lidell nesse seu álbum, o músico britânico traz para a atualidade os synth funk kitsch dos anos 70, ressuscita o Soul Train em pleno 2013. Entre toda a sensualidade funk ainda há espaço para o dark-jazz pop futurista de “why_ya_why” e os experimentos de Sun Ra que são condensados inteligentemente por Lidell. Não víamos um disco pop tão exagerado, e tão consciente dos seus excessos, desde os agudos estridentes e solos triunfantes de guitarra de Prince em Purple Rain, Lidell consegue traçar o meio termo entre o Prince alucinado em início de carreira, da breguice indecente que contagia na chuva púrpura ao Prince cerebral-estúpido-sério-visionário, e não menos divertido, de Sign o’ the Times. Uma façanha! Fico feliz por ter atinado para isso a tempo, pois agora o aplaudo de pé.

(Texto original publicado em uma lista de meio de ano, aqui mesmo no blog).

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05. Dutch Uncles – Out of Touch in the Wild

Algumas das críticas negativas em torno desse mais recente disco do Dutch Uncles se apoiam no fato dele ser limpo e correto demais. Ora, que idiotice! Engraçado, pois justamente o que escuto em Out of Touch in the Wild é o oposto, Touch in the Wild está longe de ser apenas correto ou simples nessa concepção rasteira de trivialidade, o que noto no álbum está mais para uma obra excessivamente complexa em sua proposta art-pop refinada e elegante, cada melodia é de uma sofisticação que beira o monumental, o regimento, que ao longo do disco ganha ares de pop progressivo, parece vindo das ideias mais grandiloquentes e exuberantes de Peter Gabriel em seu ápice megalômano no Genesis e em carreira solo.

A produção é limpa, sim, mas não em seu sentido comum e pueril da palavra; afinal, onde está o habitual? Na semi-primazia de “Fester” e “Godboy”? A primeira com as suas incríveis orquestrações dançantes que não  deixam em momento algum o “refinado” e “elegante” assumirem um caráter esnobe ou sisudo demais, pois Out of Touch in the Wild também consegue ser comercial sem deixar de lado o apreço pela complexidade das melodias, essas que em certos momentos parecem orientais, em outros parecem africanas, como ocorrem lindamente em ”Threads” sobre o regimento excêntrico de marimbas e xilofones. De uma coisa vocês podem ter certeza: Out of Touch in the Wild não é um disco simples, não mesmo! A não ser que a sua definição de simples seja completamente distinta da minha, pois para mim equivale muito bem a um dos álbuns mais asseados de 2013.

(Texto original também da lista de meio de ano).

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04. Empty Desert Blues Band – Russian Hieroglyphics 

Descobri o Empty Desert Blues Band quando revisitava a obra de Meredith Monk, isso depois de um bom tempo sem escutar a discografia da cantora, o que consequentemente fez me apaixonar de vez por discos como Turtle Dreams e Dolmen Music, esse último que trata-se da obra máxima de Meredith em todo o seu perfeccionismo e malabarismo vocal schizohipnótico. Depois, motivado pelo encantamento que tive com a discografia da multiartista, acabei procurando – entre uma janela aberta e outra do navegador – sobre arte minimalista, o que consequentemente me levou de paraquedas até a página do Empty Desert Blues Band no Bandcamp.

Pois não teria melhor surpresa. Russian Hieroglyphics é um álbum incrível apoiado na mesma proposta que Meredith Monk faz em suas afetações de equilibrista vocal, a diferença é que, enquanto a cantora permanece em um minimalismo estático que provem obviamente do seu envolvimento com o aspecto teatral e da dança, algo que se assemelha a uma espécie de diálogo entre corpo e voz, o Empty Desert me parece algo menos restrito a um campo mais segmentado e experimental da arte, por vezes Russian Hieroglyphics aparenta ser estranhamente habitual para o excêntrico, o que é um tanto incomum para uma obra que é notoriamente singular.

Se apropriando de vertentes mais regionalistas da world music, como a música tribal africana e melodias orientais, o Empty Desert Blues estabelece um biorritmo sonoro extasiante, algo que a própria banda define como gênero em sua página pessoal, criando um ritual ambient expansivo e exótico, que nivela-se ao longo das faixas repetitivas em uma curiosa simbiose de prazer e a angustia.

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03. 385 – 人間

Uma coisa que chama bastante a minha atenção no jeito japonês de fazer música é como eles gostam de exagerar em tudo que pretendem fazer, a maioria das bandas – principalmente as de rock – buscam quase sempre elevar as condições, de um determinado gênero e nicho, ao seu patamar mais absurdo possível, em um aspecto descomunal e desregrado da música que possa transparecer em sua obra. Se é power metal que está em jogo, que seja supra-power metal o resultado; se é bossa-nova, tem que ser supra-bossa-nova; se é jazz, tem que ser supra-jazz, pois é justamente o que ocorre aqui com o 385 em uma proposta semelhante ao que John Zorn fazia enquanto Naked City, só que de um modo – podem acreditar – muito, mas muito mais excessivo e desajuizado.

Aquela transfusão sonora de pegar a música pop e desfigurá-la sem sacrilégios em barulho e raiva grindcore/punk rock, como John Zorn fez em obras excepcionais (Torture Garden e o homônimo de 1989 são alguns destaques), é tudo refletido aqui propriamente no som, e isso em um modelo incrivelmente contagiante beirando o quase que cartunesco, apesar de obviamente ser uma proposta séria dos japoneses, o que fica evidente no profissionalismo instrumental do trio – sim, é um trio que faz toda essa balburdia sonora -, mas ao mesmo tempo é visível um aspecto mais descompromissado do grupo, o que ocasiona, no seu resultado final, uma diversão extremamente bem executada e não alienada, pois só espero que em 2014 apareçam mais discos malucos como esse do trio japonês 385.

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02. Omar Souleyman – Wenu Wenu 

A história de Omar Souleyman impressiona por mostrar como atualmente vivemos em tempos onde não há qualquer limite para apreciação e apropriação cultural, seja ela qual for, onde for e do modo que for – para o bem ou para o mal, segmentada ou não. O artista, que há pouco tempo era apenas um mero cantor de casamentos na Síria, transformou-se rapidamente em ícone da música independente ocidental, uma ascensão que nem mesmo os grandes ícones do pop mainstream conseguem de um jeito tão instantâneo. Elogiado por inúmeros blogs, revistas eletrônicas e com participações em festivais importantes como o Pitchfork Festival, Omar saiu do anonimato – ao menos global – para o completo estrelato no mundo da música, pois há alguns anos isso não seria ao menos passível de imaginação.

Omar é o perfeito fruto da evolução, da revolução cultural e social nos tempos modernos, com um estilo musical tradicional da música islâmica, o dabke, uma manifestação artística que era feita por peregrinos no deserto sírio, o ex-cantor de casamentos ganhou os olhares do mundo como um ser estranho em pouquíssimo tempo, e óbvio que Four Tet tem um bom pedaço de culpa nisso tudo, é verdade, mas aqui o impulso de Kieran é secundário, o cantor sírio tem vida própria, é uma figura única e completamente instigante em um mercado óbvio como o do ocidente. Quem diria que, algum dia, culturas tão distintas se encontrariam de forma tão harmoniosa, em Wenu Wenu acontece isso de forma integral e não fracionada de arte: o dabke de peregrinos no deserto sírio encontra a dance music ocidentalizada de discotecas em uma jornada psicodélica que poucos discos conseguiram reproduzir em 2013. Wenu Wenu certamente é o disco mais divertido e festivo do ano.

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01. Dale Cooper Quartet and the Dictaphones – Quatorze pièces de menace 

Outra obra que buscou no surrealismo a sua fonte de inspiração, mas aqui o contrassenso não reflete de forma tão arrebatadora e subversiva como o presenciado em Clara Altantsegtseg, o teatro do absurdo regido pelo Dale Cooper Quartet and the Dictaphones é quase como uma manifestação alternativa a de Clara, de um modo mais sutil e elegante. Se os franceses da [bleu] eram como o olho cortado com a gilete em Un chien andalou, Quatorze pièces de menace me parece mais como o espetáculo solitário de Rebekah Del Rio no Club Silêncio. É gélido, violento, cruel, de uma brutalidade contida e sufocante, em certos momentos sádica e tão perturbadora quanto o arrebatamento explícito e direto de Clara.

Quatorze pièces de menace, assim como nos discos anteriores da Dale Cooper Quartet, é uma alegoria destrutiva da música lounge, como uma face sombria e soturna que a música habitual carrega subliminarmente. Como disse em minha resenha para o disco, a banda consegue estabelecer uma purificação melódica e delirante em surrealismo que poderia facilmente ser trilha sonora de qualquer absurdo fantasioso com a alcunha do cérebro ilógico de David Lynch, estruturada em elementos de krautrock, drone e noise, o Dale Cooper Quartet and the Dictaphones faz de Quatorze pièces de menace uma espécie de composição máxima de Angelo Badalamenti.

[Top 100 com a capa dos discos]

Top 100

1. Dale Cooper Quartet and the Dictaphones – Quatorze pièces de menace (8.9)

2. Omar Souleyman – Wenu Wenu (8.4)

3. 385 – 人間 (8.4)

4. Empty Desert Blues Band – Russian Hieroglyphics (8.3)

5. Dutch Uncles – Out of Touch in the Wild (8.0)

6. Jamie Lidell – Jamie Lidell (8.0)

7. Daft Punk – Random Access Memories (8.0)

8. Altar of Plagues – Teethed Glory and Injury (8.0)

9. Keiji Haino, Jim O’Rourke & Oren Ambarchi – Now While It’s Still… (8.0)

10. Stara Rzeka – Cień chmury nad ukrytym polem (8.0)

11. Wakusei Abnormal – Nandemonai Kyoki (8.0)

12. Death Grips – Government Plates (8.0)

13. Drake – Nothing Was the Same (8.0)

14. My Bloody Valentine – m b v (8.0)

15. Death Cab For Cutie – Transatlanticism Demos (8.0)

16. Sleigh Bells – Bitter Rivals (8.0)

17. Smashing Pumpkins – Oceania: Live in NYC (8.0)

18. Blank Banshee – Blank Banshee 1 (7.9)

19. Won James Won – Воиня Везумия (7.9)

20. Leonid Fedorov & Vladimir Volkov – Если его нет (7.9)

21. Pharmakon – Abandon (7.9)

22. Dead in the Dirt – The Blind Hole (7.9)

23. Momoiro Clover Z – 5th Dimension (7.9)

24. Foetus – Soak (7.9)

25. Perseverance – Silence, Forever; Endless (7.9)

26. Teeth of the Sea – Master (7.9)

27. Wretched Excess – A Piece of Infinity (7.9)

28. Sir Kay – Two Cats (7.8)

29. Sigur Rós – Kveikur (7.8)

30. Useless Eaters – Hypertension (7.8)

31. The Flaming Lips – The Terror (7.8)

32. Atom™ – HD (7.8)

33. A Hawk and a Hacksaw – You Have Already Gone to the Other World (7.8)

34. Tropic of Cancer – Restless Idylls (7.8)

35. Progenie Terrestre Pura – U.M.A. (7.7)

36. Abu Lahab – Supplications of the Last Gyrosophist (7.7)

37. Wave Machines – Pollen (7.7)

38. Diamond Terrifier – The Subtle Body Wears A Shadow (7.7)

39. Corrections House – Last City Zero (7.7)

40. Oneohtrix Point Never – R Plus Seven (7.7)

41. Lustre – Wonder (7.7)

42. Pissed Jeans – Honeys (7.6)

43. Verwüstung – Tunnel Ghosts (7.5)

44. The Haxan Cloak – Excavation (7.5)

45. Mazzy Star – Seasons of Your Day (7.5)

46. Bob Ostertag – A Book of Hours (7.5)

47. Tim Hecker – Virgins (7.5)

48. Pet Shop Boys – Electric (7.5)

49. The Strokes – Comedown Machine (7.5)

50. Melt-Banana – Fetch (7.5)

51. Thirty Seconds to Mars – Love Lust Faith + Dreams (7.5)

52. Abu Lahab – Of Heliotaxis and Cosmic Knifing (7.5)

53. Femi Kuti – No Place for My Dream (7.5)

54. Dhampyr – All the Dead Dears (7.5)

55. Emicida – O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (7.5)

56. Vinolimbo – Nostálgico Vazio (7.5)

57. James Blake – Overgrown (7.4)

58. Peste Noire – Peste Noire (7.4)

59. Deerhunter – Monomania (7.3)

60. Bardo Pond – Rise Above It All (7.3)

61. Shining – 8 ½ – Feberdrömmar i vaket tillstånd (7.3)

62. Lebanon Hanover – Tomb for Two (7.3)

63. Pere Ubu – The Lady From Shanghai (7.2)

64. Clouds – USB Islands (7.2)

65. Jimi Hendrix – People, Hell and Angels (7.2)

66. Nvblado – Afogado (7.2)

67. Ceres & Calypso in the Deep Time – Candy Claws (7.1)

68. Gaspar Claus – Jo Ha Kyu (7.0)

69. Terra Tenebrosa – The Purging (7.0)

70. Io – Our Disintegrating Museum (7.0)

71. Steven Wilson – The Raven that Refused to Sing (7.0)

72. Adam Green & Binki Shapiro – Adam Green & Binki Shapiro (7.0)

73. Atoms for Peace – Amok (7.0)

74. On An On – Give In (7.0)

75. Pigs – Gaffe (7.0)

76. Floema – Ferrugem (7.0)

77. Bemônio – Opscurum (7.0)

78. Guided by Voices – Down by the Racetrack (7.0)

79. Julia Holter – Loud City Song (7.0)

80. Stromae – Racine Carrée (7.0)

81. Harkan – Ellipsis (7.0)

82. Ultrademon – Seapunk (7.0)

83. Slava – Raw Solutions (7.0)

84. Mooncake – Zaris (7.0)

85. Burial – Rival Dealer (7.0)

86. Torres – Torres (7.0)

87. Idiot Glee – Life Without Jazz (6.9)

88. Acid Mothers Temple – In Search of the Lost Divine Arc (6.9)

89. Gnaw Their Tongues – Sulfur (6.9)

90. Dorian Wood – Rattle Rattle (6.9)

91. Kanye West – Yeezus (6.9)

92. Jai Paul – Jai Paul (6.9)

93. Suicideyear – Japan (6.9)

94. Beacon – The Ways We Separate (6.8)

95. Moon in June – Dissolving Self (6.8)

96. Masquerader – Singular Point (6.8)

97. Nadine Shah – Love Your Dum and Mad (6.8)

98. Alameda 3 – Pózne królestwo (6.7)

99. Eco Virtual – VIRTUAL大気中分析 (6.7)

100. Pryapisme – Hyperblast Super-Collider (6.7)

 

Menções honrosas

Kovtun – Complete Soundtrack of Suicide (6.7)

Athanor – Vos cités sont des tombeaux (6.7)

M.I.A. – Matangi (6.7)

Sam Sparro – Quantum Physical Vol. 1 (6.7)

Jam City – Club Constructions Vol. 6 (6.7)

Dowsing – I Don’t Even Care Anymore (6.7)

Kinoko Teikoku – Eureka (6.7)

The Night Marchers – Allez! Allez! (6.6)

Situs Magus – Le grand œuvre (6.6)

Alameda 3 – Tzimtzum (6.6)

NEØV – Orange Morning (6.6)

The World Is a Beautiful Place… – Whenever, If Ever (6.6)

Jacques Greene – On Your Side (6.6)

Apanhador Só – Antes Que Tu Conte Outra (6.6)

Roy Harper – Man And Myth (6.6)

Rice Cultivation Society – Sky Burial (6.6)

Jack O’ The Clock – All My Friends (6.6)

Barulhista – Café Branco (6.6)

Ben Frost – Black Marrow (6.6)

Beat Bums – Prelude (6.6)

Ricardo Donoso – As Iron Sharpens Iron (6.6)

Matana Roberts – Coin Coin Chapter Two: Mississippi Moonchile (6.6)

Blood Orange – Cupid Deluxe (6.6)

Coma Cinema – Posthumous Release (6.6)

Colin Stetson – New History Warfare Vol. 3 (6.6)

Chinese Cookie Poets – Danza Cava (6.6)

Muhammad Ateu – Velhas Vontades (6.6)

Yvette – Process (6.6)

Ulysse Carrière – Arès Anadyomène (6.5)

Uneven Structure – 8 (6.5)

Mohammad – Som Sakrifis (6.5)

Team Ghost – Curtains (6.5)

José James – No Beginning, No End (6.5)

These New Puritans – Field of Reeds (6.5)

MMoths – Diaries (6.5)

The Knife – Shaking The Habitual (6.5)

Autre Ne Veut – Anxiety (6.5)

Krewella – Get Wet (6.5)

Motion Sickness of Time Travel – The Perennials (6.5)

Bassekou Kouyate & Ngoni Ba – Jama Ko (6.5)

Olde Pine – The Steve French EP (6.5)

Guided by Voices – English Little League (6.5)

Arrington de Dionyso Malaikat dan Singa – Open the Crown (6.5)

Vampire Weekend – Modern Vampires of the City (6.5)

Xiu Xiu – Nina (6.5)

Kurt Vile – Wakin on a Pretty Daze (6.5)

Haim – Days Are Gone (6.5)

Zola Jesus – Versions (6.5)

Bill Callahan – Dream River (6.5)

Arctic Monkeys – AM (6.5)

Espinhaço – Janelas (6.5)

Nick Cave and The Bad Seeds – Push the Sky Away (6.5)

King Krule – 6 Feet Beneath the Moon (6.5)

Leo Imai – Made From Nothing (6.5)

Koch-Schütz-Studer with Shelley Hirsch – Walking and Stumbling… (6.5)

Melodía – Saudades (6.5)

Ceticências – Pillow (6.5)

Federico Durand – El idioma de las luciérnagas (6.5)

The Dead C – Armed Courage (6.5)

In Solitude – Sister (6.5)

Video 2000 – Midnight Ride (6.5)

mhzesent – #trainspotting (6.5)

Cyclamen – Ashura (6.5)

Arcade Fire – Reflektor (6.5)

Kelela – Cut 4 Me (6.5)

The Residents – Mush-Room (6.5)

Aláfia – Aláfia (6.5)

Grumbling Fur – Glynnaestra (6.5)

Iggy Azalea – Change Your Life (6.5)

O Grande Grupo Viajante – O Grande Grupo Viajante (6.5)

Cícero – Sábado (6.5)

The Pizza Underground – The Pizza Underground Demo (6.5)

Karol Conká – Batuk Freak (6.5)

Shpongle – Museum of Consciousness (6.5)

Moon in June – Newfound Power (6.5)

Dorgas – Dorgas (6.5)

Deptford Goth – Life After Defo (6.4)

Glenn Jones – My Garden State (6.4)

Daniel Romano – Come Cry With Me (6.4)

Yo La Tengo – Fade (6.4)

The Joy Formidable – Wolf’s Law (6.4)

Karl Bartos – Off the Record (6.4)

Rome – Hate Us and See If We Mind (6.4)

Kirin J. Callinan – Embracism (6.4)

Picnic no Front – E Daí Se o Mundo Acabou? (6.4)

Night Terrors – Commune With The Dead (6.4)

Vaura – The Missing (6.4)

Foxygen – We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic (6.3)

Hookworms – Pearl Mystic (6.3)

The Lions – This Generation (6.3)

Giles Corey – Hinterkaifeck (6.3)

Mauricio Hornek – Gravity (6.3)

Clouds Collide – Until the Wind Stops Blowing… (6.3)

Lucky Pierre – The Island Come True (6.3)

Grouper – The Man Who Died in His Boat (6.3)

Iron & Wine – Ghost on Ghost (6.3)

Young Galaxy – Ultramarine (6.3)

Kadavar – Abra Kadavar (6.3)

Elvis Depressedly – Holo Pleasures (6.3)

Dorgas – Semanas Góticas (6.3)

Saint Pepsi – New Generation (6.2)

Our Foliage – Struggle (6.2)

Земфира – Жить в твоей голове (6.2)

Keaton Henson – Birthdays (6.2)

Spiral – Faded Memory (6.1)

Jess and the Ancient Ones – Astral Sabbat (6.1)

Daemonia Nymphe – Psychostasia (6.0)

Julianna Barwick – Nepenthe (6.0)

Eels – Wonderful, Glorious (6.0)

Mashrou’ Leila – Raasük (6.0)

Comadre – Comadre (6.0)

Wussy – Berneice Huff and son, Bill sings Popular Favorites (6.0)

Norwegian Arms – Wolf Like a Stray Dog (6.0)

Monoswezi – The Village (6.0)

Tom Zé – Tribunal do Feicebuqui (6.0)

James Holden – The Inheritors (6.0)

The Industrialism – Nicolas / Halo (6.0)

Marina Stewart – Horreur Tape (6.0)

Dean Blunt – The Redeemer (6.0)

Self Defense Family – The Corrections Officer In Me (6.0)

Moderat – II (6.0)

Deafheaven – Sunbather (6.0)

Fuck Buttons – Slow Focus (6.0)

Matthew E. White – Outer Face (6.0)

4 comentários em “Melhores discos de 2013

  1. Pingback: Babymetal – Babymetal (2014) | Papel Cult

  2. Pingback: Le ravissement de Frank N. Stein | Papel Cult

  3. Junior Mônaco
    29/03/2014

    procurem fazer uma critica sobre o mustapha mond❤

  4. Pingback: Piores Discos de 2014 | Papel Cult

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Publicado às 24/12/2013 por em Listas, Música e marcado , , , .
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