Papel Cult

Le ravissement de Frank N. Stein

Confesso que desconhecia o autor da belíssima capa do último álbum de estúdio do Oneohtrix Point Never, o bom R Plus Seven, que inclusive figurou entre os melhores discos do ano na minha lista de 2013. Pois agora fico feliz em dizer que não desconheço mais o nome do artista que assina essa obra de arte estupenda, o Tumblr e o seu pandemônio semi-ideológico tiveram a elegância de me apresentar o trabalho do cara. Georges Schwizgebel é o nome da figura, um pintor e diretor de animações suíço e que, pelo o que consta em sua biografia resumida, já ganhou inúmeros prêmios mundo afora pelo seu trabalho. Posso dizer que inicialmente me peguei de surpresa com a qualidade desse curta, é espantoso o espírito cabalístico e angustiante que não cessa desde o início até o seu desfecho arrebatador – certamente “angustiante” é a melhor palavra que resume o espetáculo visual e sensitivo que esse curta provoca. O pequeno filme faz o espectador se sentir, a todo instante, como o personagem principal da obra, como o ser estranho e místico que anda pelas passagens sem portas e pelas cenas repetitivas que se constroem gradativamente com o auxílio atento de quem assiste.

Le ravissement de Frank N. Stein é o nome desse pesadelo com pouco mais de 9 minutos de duração, uma obra incrivelmente tentadora e enigmática, sombria e onírica em sua proposta de imersão sensorial. Quando o assisti pela primeira vez, posso dizer que fiquei com uma sensação de constante desconforto, mas imensamente inerte e curioso com aquela situação à minha frente; como se, a qualquer momento, fosse acontecer algo maior e inesperado, um susto, uma revelação… O que na realidade ocorre, delicadamente, como se uma execução mais exagerada estragasse todo o espetáculo que aconteceu até ali, enfim… Obvio que não contarei o que acorre no fim e no meio-fim, mas sem sombra de dúvidas posso dizer que é de uma beleza sublime. Esteticamente encoberto de mistério como uma pintura que caminha entre o expressionismo e o surrealismo, Le ravissement de Frank N. Stein é um trabalho lindo e sedutor, fantasioso em uma espécie de sonho lúcido angustiante e inexplicável, pois o curta de Georges Schwizgebel me fez ficar ainda mais interessado no seu incrível trabalho, esse que, não fosse Oneohtrix Point Never, talvez não teria conhecimento. Então… Muito obrigado, Daniel Lopatin.

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Publicado às 16/03/2014 por em Cinema, Música e marcado , , .
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