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Melhor Faixa: Lana Del Rey – West Coast

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Fiquei surpreso com essa nova música da Lana Del Rey. E foi uma surpresa boa, de verdade. Já havia gostado de imediato da canção quando a ouvi pela primeira vez, a faixa soa imensamente superior se for comparada com boa parte do conteúdo visto em seu famigerado Born to Die, ou mesmo com qualquer coisa lançada por ela depois desse primeiro álbum sob a alcunha-Lana; no entanto, depois de poucas audições, “West Coast” conseguiu crescer comigo de um modo surpreendente. De uma certa forma, “West Coast” reforça o que já havia dito em 2012, quando expus a falta de identidade que a cantora sofria, e que aparentemente ainda sofre atualmente, mas que esporadicamente resulta em alguns espasmos de lucidez, grande parte quando ela, enfim, resolve explorar o seu real potencial a deixar de lado o pop super produzido de sua práxis – algo que ocorre positivamente aqui. Desde 2012, no êxtase memético que se instaurou sobre a figura semi-caricata de Lana, “Nancy Sinatra gangsta“, como ela mesma se autodenominava, Del Rey ainda vem nessa de sustentar a imagem criada a partir do seu – hoje – saturado “Video Games”, hit que alavancou a então desconhecida moça, dos tempos de jazz-pop de barzinho, ao estrelato pop-megalômano.

Na época, apontei para o fato de que, a figura que Lana tenta ser, nitidamente não corresponde ao que ela pode nos entregar musicalmente; ou, na mais otimista – e cega – das interpretações, a de que ela pouco consegue sustentar com veemência esse ideal grandiloquente da música pop. Portanto, repito agora o mesmo discurso, dois anos depois: Lana não nasceu para ser uma estrela pop mainstream, uma artista do dancefloor fácil de rádio, de milhões de views no Youtube, com megaprodução, sentada e performática em um castelo com tigres… Não, definitivamente não! Ela continua pop, é verdade, mas é um pop que não pode abraçar tudo e todos ao mesmo tempo, como a que víamos na pretensão-Britney de outrora. A sua capacidade artística aproxima-se muito mais do dreampop que observamos aqui, do pop progressivo com ares de surf music, de uma aposta mais centrada, equilibrada e ciente dos seus limites. Lana me parece uma versão mais acessível, ou, digamos… Menos retraída do que seria uma nova Hope Sandoval em tempos de um Mazzy Star que não foi esquecido pelo tempo, uma Hope mais “plastificada” e bobinha como uma adolescente, é verdade, mas não menos sedutora por isso. São propostas diferentes, como Muse e Radiohead.

Pois Lana dá certo quando não tenta impressionar em excesso, em demasia popista, quando não há exageros e mais exageros de produção ao seu redor a encobrir as suas limitações. A própria cantora já nos provou que pode ir muito além dessa proposta em inúmeras situações, como quando nos impressionou na sutileza que foi o belíssimo cover feito para “Chelsea Hotel No. 2”, de Leonard Cohen, lançado em um registro não-oficial de canções b-side; ou no igualmente belo suplício urbano de “Yayo”O que quero expor aqui é que Lana pode se encontrar musicalmente, não é demérito o fato dela querer o pop grandioso, o erro está em tentar buscar isso de um modo quase que incessante, descaracterizando a sua real condição artística, natural… Até mesmo porque já existem bons nomes para tal função, essa que não lhe cabe. Novamente: o equívoco de Lana não está em sua busca pelo pop imponente, mas sim a sua falta de capacidade em explorar um caminho tão tortuoso como esse. Não há nada de errado nisso, mas para que essas surpresas continuem a acontecer, e que futuramente não sejam mais tão espantosas como agora, é necessário que Lana finalmente entenda isso e desista de tamanha ambição. Tirando por essa “West Coast”, ainda há esperança em Ultraviolence.

Ficha

Artista: Lana Del Rey

Ano: 2014

Álbum: Ultraviolence

Origem: EUA

Gênero: Pop

Um comentário em “Melhor Faixa: Lana Del Rey – West Coast

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Publicado às 17/04/2014 por em Faixas, Música, Melhores Faixas e marcado , , , , .
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