Papel Cult

Pior Faixa: Lana Del Rey – Shades of Cool

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Uma grande decepção depois da boa surpresa que foi o primeiro single West CoastShades of Cool ainda nos mostra uma Lana diferente e tentando buscar novos caminhos musicais, ainda existe uma busca genuína em autoconhecimento nessa nova jornada nitidamente menos pop do que a evidenciada em Born to Die, é verdade; no entanto, o que escutamos aqui ainda salienta a falta de imposição e individualidade da moça, coisa que ela esporadicamente consegue domar – como já disse inúmeras vezes. A mão de Dan Auerbach, que produz o novo disco de Lana, agora, pesa negativamente, carregando cada vez mais o corpo melódico do álbum para um lado que pareça comum ao de sua banda, a tentativa de resgate temporal dos tempos de Lana enquanto Lizzy Grant, aqui, funciona como uma espécie de encontro sensitivo entre o que Dan faz com o Black Keys e o que Lana fazia enquanto artista congênita, em um sustentáculo menos intimista e mais impositivo, com guitarras e tudo mais em prevalência de um noise pop um tanto desconexo, algo que acaba não funcionando aqui, o que escutamos está tudo muito desligado, a falta de harmonia é mais do que perceptível ao longo da faixa, o que se agrava principalmente em seu término.

Falta em Shades of Cool o controle entre a concepção mais intensa da canção, que presenciamos melhor em seu epílogo impetuoso, como dito, com o vocal tímido e delicado de Lana, pois aqui não há essa concórdia, o que em certos momentos faz com que a canção pareça uma b-side mal aproveitada e repleta de retalhos, esses que Dan tenta modelar; o erro, na realidade, me parece muito mais de Auerbach do que de Lana em sua tentativa de levar a cantora para um passo além do escutado em West Coast, algo mais “violento” em justaposição à ultraviolência do discurso da obra, o que seria coerente, mas no fim mesmo quem sai violentado são os nossos ouvidos, não há prazer algum no que escutamos em Shades of Cool, muito pelo contrário. Lana vai abandonando a pretensão pop de outrora para o acolhimento de um suposto ensaio de rockstar, bem… Eu de verdade não sei muito o que pensar sobre isso, mas é notório que Ultraviolence começa a trepidar e externar suas deformidades, algo que já era esperado (?). Só sei que dessa vez a esperança diminui um pouco, apesar de ainda existir. Para o bem de tudo, ainda nem mesmo estamos no meio do caminho.

Ficha

Artista: Lana Del Rey

Ano: 2014

Álbum: Ultraviolence

Origem: EUA

Gênero: Pop

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Informação

Publicado às 26/05/2014 por em Faixas, Música, Piores Faixas e marcado , , .
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