Papel Cult

Melhores discos de 2014

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Novamente, repetindo as regras e argumentos utilizados em minhas listas anteriores, que também servem para essas atuais. Assim como toda e qualquer lista exposta aqui no blog, a lista de melhores possui, primeiramente, um top com os 100 principais discos, do qual escrevo pequenos textos sobre os 10 primeiros colocados, geralmente um ou dois parágrafos curtos para cada um. Depois dos 100 álbuns, listo, sem enumerar, no caso dos melhores, aqueles discos que ainda considero bons e outros que achei acima da (ou) na média. Dependendo, obviamente, das notas que constam ao lado de cada título.

Posteriormente, sendo essa a única coisa diferente das minhas outras listas, também faço aqui um top de EPs, limitado, a princípio, ao número de 50 álbuns, seguido de outros que considerei bons, ou, como já exposto, acima (ou) na média 6.0. Como é de praxe, as minhas listas jamais são definitivas, pois não trato crítica como sentença; então, assim como posso, ao longo dos próximos anos, continuar adicionando novos disco à lista, também posso retirá-los em novas revisitações, atualizando-a constantemente, como já faço com as listas antigas.

Pois bem, devidamente informados, fiquem com a lista:

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10. Ulysse Carrière – Shallanews Wash

Quem já conferiu a minha lista de piores certamente notou o quanto me decepcionei (e me decepciono) com a música noise tratada basicamente em seu material bruto, sem polimento, onde as ideias são apenas jogadas na face de um contexto vago, sem melhor compromisso artístico, um convênio minimamente refinado sob uma real concepção acerca do trabalho exposto; entretanto, para todo caso há sempre uma boa exceção, ou ao menos eu sempre procuro encontrar uma. Pois é justamente o que encontro aqui com o enigmático projeto canadense Ulysse Carrière, Ulysse é uma dessas exceções, se sobressaindo precisamente no campo da música noise, do barulho bruto que expûs anteriormente, mas ainda assim assumindo um processo criativo instigante muito além do que qualquer disco apresentado em minha outra lista. O que Ulysse faz aqui é a interessante mistura de gêneros, aparentemente distintos em sua estética, mas que acabam encontrando a beleza harmônica em seu contraste, algo que, a princípio, seria completamente inviável, mas Ulysse consegue criar uma simbiose do noise com a música erudita, estabelecendo assim um embate da música e da “não-música” proposto no classicismo e no avant-garde, aqui o músico traça um caminho curioso entre as faixas, explorando-as sob uma concepção primariamente caótica, para, nos devidos intervalos, corromper a canção sob a beleza divina clássica, despertando assim uma admiração diante do espanto.

Cada canção de Shallanews Wash exerce quase que um cargo de submissão no álbum, inserindo o ouvinte em um jogo sórdido, mas estranhamente sedutor. Os cortes, que mutilam a obra a todo instante, destroem o normalismo que a obra possui, sustentando um show aparentemente desarmônico de demolição da trivialidade, da distinção do apurado, sublime… Em confronto ao obsceno, imperfeito… Na realidade, essa dissonância plástica, estilística, estabelece contraditoriamente o quasi-completo acordo em sua extirpação do corretismo musical, não só da música pop, mas da música segregada em gêneros e nichos, do sentimento vulgar, da estrutura melódica da canção que é repartida em inúmeros momentos, ora passeando em seu completo modelo de caos pandemônico: ruídos, cortes severos de estrutura, vociferações eletroacústicas agudas e corrosivas, como acontece magistralmente em Lurch of Lawn, sendo o seu ápice; e ora acalantando em seu absoluto gracejo versado, ciente e hábil do descanso composto de placidez presente na música erudita, na música dita não-pop. Pois Shallanews Wash, nesse confronto de extremos, de diferenças, se destaca substancialmente entre os melhores discos, não só de 2014, mas de todo um gênero conhecido pelas suas limitações artísticas.

(Texto adaptado do original , publicado em abril desse ano)

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 9. Natural Snow Buildings – The Night Country 

Novo trabalho do Natural Snow Buildings, duo francês de música experimental, que também figura entre os nomes mais interessantes da nova música psicodélica; The Night Country intensifica as viagem sensoriais que os franceses criam em seus trabalhos, aqui o duo consegue criar uma das mais belas e imersivas aventuras soturnas que alguém poderia proporcionar musicalmente em 2014. Esse álbum certamente foi um dos que mais escutei fora de casa, a caminho do trabalho e da faculdade, a atmosfera criada pela dupla francesa interage excepcionalmente bem com qualquer ambiente; a tristeza, a felicidade, a melancolia do disco, todos os sentimentos, aqui gerados, se misturam de forma sublima sob qualquer narrativa, sem submeter o ouvinte a somente um plano comportamental. A reação, na realidade, oscila de forma meteórica, de acordo com o que se constrói em sua linha de raciocínio musical, de conforto, como se Night Country fosse um disco-refúgio, que surge em meio à dúvida, um obra que supre as necessidades do espectador naquele instante.

As músicas, longas em sua maioria, passeiam tranquilamente na comunhão do drone e folk psicodélico estabelecidos pelo duo. Na maior do tempo o disco possui um aspecto basicamente instrumental, reservando pequenos momentos de descanso, esses onde o comportamento humano assume sob a doce voz de Solange Gularte, que conduz a partir daí um lamento próprio e visceral, com um regimento limpo e sincero, sem retoques, um canto onde a dor e a verdade comunicam-se através de sua fala seca, uma representação da natureza que não foge à transparência, a música surge como o reflexo da mesma, da pureza que se cria em cada melodia do álbum, como se fosse uma tentativa de representar a melodia do que é congênito, fora do âmbito de um field recording, o que a dupla faz aqui é a representação, uma das releituras mais belas da música natural, da natureza, da sua graça propriamente genuína.

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8. Jack O’ The Clock – Night Loops

Posso dizer que o Jack O’ the Clock desponta como um dos grandes nomes do rock progressivo atual com esse seu quarto álbum de estúdio. Com influências voltadas para movimentos excêntricos e segregados do nicho, como o Rock in Opposition (RIO) e o avant-prog, o grupo incorpora em Night Loops, junto à estrutura melódico-estranha das bandas da cena, todo um aspecto popular dos grupos mais conhecidos e emergentes do chamado neo-prog, e até mesmo do new-prog, criando assim um enlace harmônico raro entre essas vertentes, algo que é muito pouco perceptível, prevalecendo sempre uma ou outra face da moeda, fazendo com que o pessoal do Jack O’ the Clock, de certo modo, se destaque substancialmente e deixe quase que imperceptível a similaridade com as demais bandas da cena progressiva; essa que, por sua vez, descamba geralmente para o experimentalismo exibicionista (prog metal e afins), ou para o seu oposto popular, mais explorado pelas novas bandas de new prog.

Os excessos inexistem em Night Loops, em ambas as partes, da extravagância à convencionalidade, o álbum sintetiza bem esses extremos em um conteúdo muito maior, de valor até mesmo superior aos seus mentores, que em sua maioria ainda sofre com o peso que o tempo impõe, fazendo com que essas bandas se tornem estagnadas no tempo sem saber como se modernizar. Pois o Jack O’ the Clock, passeando do semi funk rock da excelente “Bethlehem Watcher”, indo para os momentos mais característicos avant-prog que rodeiam praticamente quase que todo esse novo disco do grupo em sua entoada anômala de jazz-rock, nos ritmos martelares que contrasteiam com os lapsos de folk progressivo que deslizam suavemente entre as faixas do álbum, acaba reinando indômito em sua magnitude, pungente em uma nova perspectiva do rock progressivo, do novo e próspero rock progressivo.

(Texto adaptado do original, publicado em maio desse ano)

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7. Nurse With Wound & Graham Bowers – Excitotoxicity

Sempre achei Steven Stapleton, a mente que conduz o Nurse With Wound, uma das figuras mais menosprezadas no mundo da música experimental, essencialmente no que é relacionado à música industrial, terreno onde construiu a sua carreira. Desde os seus primeiros álbuns de estúdio, quando o foco narrativo voltava-se de modo mais evidente para uma acepção furiosa da violência, isso em um contexto carregado de erotismo e obscenidades, algo sórdido e próximo de um sadismo repugnante, mas que estranhamente consegue instigar a curiosidade do ouvinte em temáticas escatológicas e pornográficas; Nurse sempre me pareceu muito mais interessante e provocador do que nomes mais celebrados da cena, como Genesis P-Orridge, enquanto Throbbing Gristle, ou até mesmo Coil e SPK. Desde de os primeiros trabalhos de Nurse já me parece possível identificar o maior domínio que o músico possui em sua representação do grotesco, do sujo, do expressionismo, algo que ocorre em seu disco Merzbild Schwet, onde o músico conduz um espetáculo dark ambient transfigurador, com elementos de música concreta e jazz, até chegar em seus trabalhos mais recentes, como The Surveillance Lounge, lançado em 2009.

O que exponho aqui é que, nitidamente, me parece que Steven Stapleton soube envelhecer melhor do que seus companheiros de cena, enquanto alguns sumiram e ainda vivem de um passado estagnado, ou de esporádicos lampejos criativos, como ocorreu esse ano com o Einstürzende Neubauten, em seu novo disco; a música de Nurse, no entanto, ainda continua firme e hostil, provocadora, acima de tudo sedutora sob o modelo artístico do qual ele tem inegável domínio. Nesse novo álbum de estúdio, por sua vez, em parceria com o pouco conhecido Graham Bowers, músico mais ilustre por escrever partituras para peças e danças experimentais, Nurse ainda consegue nos entregar um trabalho renovado, contemporâneo, que, apesar de assumir uma fisionomia menos ríspida e mais, digamos… Humanizada, ainda reproduz com fidelidade os sentimentos mais subversivos de ojeriza benigna que seus principais registros possuem.

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6. Plateau Sigma – The True Shape of Eskatos

Tenho uma relação estranha com o doom metal, das bandas clássicas que conheço, a grande maioria eu não consigo gostar, tendo essas bandas, ao longo do tempo, migrado gradativamente para uma versão mais soft da qual eu, estranhamente, consigo me identificar melhor do que nos valores regrados do doom metal tradicional. Bem, por conta disso, talvez eu tenha desenvolvido uma certa resistência ao gênero, algo que tenho que, a exemplo do sludge metal, aprimorar um pouquinho mais para desenvolver melhor a minha real concepção sobre o gênero. No entanto, ainda assim, apesar de não ser lá um dos maiores fãs que o doom metal possui, volta e meia também acabo me surpreendendo positivamente com ótimos e bons lançamentos, algo que, quando ocorre, sempre fico muito grato por acontecer, pois é justamente o que mais me agrada na música (e na arte em si), é essa capacidade que ela possui de nos surpreender, esse sentimento de redescoberta, de quebra de preceitos e valores que podem se alterar a qualquer momento.

Até então, o último registro do gênero que me agradou de modo substancial, foi o Atra Mors, mais recente álbum da banda norte-americana Evoken, que até hoje é dona de uma das canções peças mais pesadas e caóticas que escutei na vida, “Descent into Chaotic Dream”, um pedaço de angústia musical dos mais incríveis e fascinantes que 2012 me reservou. Pois agora, em 2014, essa cota de doom metal é ocupada com enorme propriedade pelos italianos do Plateau Sigma, banda já com dois álbuns de estúdio no currículo e, apesar de ainda não ter muita expressão na cena, certamente já surge com um dos melhores nomes que o futuro doom metal pode nos oferecer. Quebrando o estigma sistemático das bandas mais tradicionais, o pessoal do Plateau Sigma incorpora elementos de rock progressivo, jazz e música ambiente às suas canções, aumentando a imersão nos momentos mais intensos e atmosféricos que o álbum possui.

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5. Foxygen – …And Star Power

Eu francamente continuo sem entender muito bem o porquê desse novo álbum do Foxygen ter sido tão esnobado pela crítica, também não compreendo como ele igualmente foi recebido com enorme frieza pelos fãs do grupo. A surpresa me parece maior, quando, na realidade, And Star Power se sai imensamente melhor do que o elogiado disco anterior da dupla, o correto We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, lançado em 2012. É verdade que os integrantes do Foxygen sempre foram tratados como representantes de uma falsa nostalgia, estereotipada, clichê… Não me lembro ao certo quem disse, mas na época do lançamento de 21st Century chegaram até mesmo a comparar o grupo à rede social Instagram, obviamente numa crítica à falta de personalidade que a banda supostamente possui ao tentar emular o passado com filtros e efeitos vintage. Ora, como sentenciar a falsidade nostálgica de alguém, quando, a própria nostalgia, se trata de um sentimento extremamente particular? A beleza da mesma está justamente nesse seu caráter individual, de exclusividade, da sensação única que o indivíduo possui, onde eventualmente pode encontrar a concórdia em seu semelhante. A minha nostalgia, por exemplo, certamente não é a mesma que a sua sobre inúmeros assuntos.

Por mais que também tenha sido vítima desse discurso com o segundo álbum de estúdio da banda, e apesar de hoje ainda considerar We Are the 21st Century um disco limitado em seu corretismo exacerbado, aqui em Star Power isso felizmente não ocorre, o jogo nostálgico funciona de forma certeira em um registro apoteótico, desafiador e que certamente será lembrado no futuro pela sua proposta extremamente ambiciosa, essa que encontra enorme êxito no álbum gerando uma das mais belas melodias do ano. Diferente dos outros trabalhos da dupla, o Foxygen, aqui, soa mais original do que nunca, longe da habitualidade de outrora, Sam France e Jonathan Rado largam enormes passos à frente, incontáveis pegadas além da banda conveniente de 2012, que parecia acomodada em sua proposta não muito ameaçadora do folk psicodélico bonitinho. A estética lo-fi, por fim, ajuda a fortalecer um trabalho com armadura clássica, é verdade, mas sob o questionamento visionário que as bandas da época possuíam, coisa que não se vê muito hoje em dia. Pois que esse novo Foxygen vigore por muito mais tempo, que continue apostando na jornada ultrajante em prol da autenticidade que sempre lhe foi tão questionada.

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4. My Sad Captains – Best Of Times

Banda londrina, já em seu terceiro álbum de estúdio, o My Sad Captains foi, até então, foi umas das poucas bandas que escutei em 2014 e que me deram aquela vontade de retornar imediatamente ao disco, logo depois de escutá-lo pela primeira vez, numa vontade certeira de regressar à obra o mais rápido possível para apreciá-la melhor. Pois, a princípio, esse mais recente álbum do grupo, ainda que levemente, conseguiu recordar o contágio indie rock que não tinha há tempos, algo próximo de um Transatlanticism, talvez, ou mesmo da sensibilidade surrealista de It’s a Wonderful Life, na verdade, o que o pessoal do My Sad Captains faz aqui se aproxima do que há de mais belo e difícil de se conquistar na música pop, nos momentos mais delicados do disco, a voz arrastada e tímida de Ed Wallis, vocalista principal da banda, se assemelha muito ao do saudoso Mark Linkous, falecido líder do Sparklehorse, fatiando assim a minha alma em inúmeros pedaços e depois ateando fogo em cima.

O que percebe-se em Best Of Times é o resultado trabalhoso e incrivelmente expressivo de um grupo em perfeita sintonia, com dotes melódicos e sensibilidade pop que pouquíssimas bandas da cena possuem hoje em dia, até mesmo as mais consagradas. O My Sad Captains consegue criar aqui composições inspiradas e que cativam o ouvinte com pouquíssimo tempo de entrega, trata-se de um trabalho sofisticado, elaborado, mas sob a proposta da música pop, das faixas mais longas, que flertam com um leve synthpop dramático e melancólico, às canções mais praieiras e felizes que figuram no álbum, como a ótima“Goodbye”, que abre o disco já se despedindo, Best of Times ergue-se como um monumento moderno, uma obra imponente, um disco que está longe da difícil assimilação, que nos ganha facilmente, no entanto, sem jamais deixar de carregar consigo os elementos mais valiosos e o que há de mais sensível e primoroso na música. Best of Times é um compilado de canções que arrebatam como poucos em sua simplicidade encantadora, pode não ser o melhor disco de todos os tempos, como ironicamente se autopromove no título, mas certamente já está entre os melhores do ano.

(Texto adaptado do original, publicado em março desse ano)

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3. Epitimia – (Un)reality

Sempre me interessei por bandas exageradas, gosto do desprendimento artístico que elas possuem, gosto de como elas buscam, a todo custo, representar o que há de mais alto e arriscado do contexto musical, aquilo onde pouquíssimos conseguem ter acesso. O mundo definitivamente precisa de bandas desse tipo, alguém que faça esse trabalho, pois Epitimia, banda russa já com cinco álbuns de estúdio no histórico, é uma dessas bandas malucas de onde o ouvinte não consegue sair ileso de um álbum. Sendo resumidamente um projeto de atmospheric black metal, o Epitimia, no entanto, não tem problemas em assumir outras vertentes e gêneros em sua música. Misturando elementos de jazz-fusion com música eletrônica, trip-hop com rock sinfônico e mais uma penca de gêneros dos mais diversos segmentos, o Epitimia decerto é o modelo perfeito para representar essas bandas exageradas, pretensiosas; porém, o que escutamos aqui está longe de qualquer concepção negativa e boba que o pretensiosismo adquiriu ao longo da história da música recente, o que a banda faz aqui está completamente ciente de sua colocação e organização no álbum, os integrantes, por sua vez, passam a ideia de que tinham muita coisa em mente para expor, ao longo das inúmeras faixas, nas quase 2 horas de duração que o disco possui, essas divididas em duas partes que criam meio que um conceito sobre a obra sob uma abordagem pesada de tensão psicológica.

O que temos aqui é um disco extremamente forte, homérico em sua robustez física, que certamente pode assustar os mais despreparados; entretanto, (Un)reality não é um registro que vai perdendo a força e a qualidade ao longo das audições, na verdade, é justamente o contrário, a cada nova audição o disco só consegue melhorar, a cada diferente entrega sensorial, o álbum somente cresce em sua experiência exorbitante, nos enormes períodos de submissão que são construídos. Nesse tempo, é possível identificar características que fogem numa primeira visita, é possível notar, por exemplo, algo distinto que seguramente não se encontra nas bandas mais conhecidas de black metal, o vocal esporadicamente assume um contorno próximo ao de bandas de deathcore, criando assim um laço interessante com a cena mais recente do heavy metal, porém sem jamais soar descartável como a maioria de seus representantes; pelo contrário, (Un)reality reina absoluto como uma das obras mais pesadas que 2014 poderia ter, uma jornada faraônica e assustadora, criativa como poucas que escutei esse ano.

(Texto adaptado do original, publicado em uma lista para o site da NME Brasil)

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2. Orchestre National de Jazz – Europa Paris

Idealizada com apoio de um ministro da cultura francês (Jack Lang), a concepção da existência da Orchestre National de Jazz, por si só, já valeria uma menção honrosa aqui nesse lista. A orquestra que se conhece hoje já existe desde os anos oitenta – 1986, para ser mais exato. No entanto, a sua formação nunca foi a mesma desde então, o intuito da orquestra, em sua gênese, até os dias atuais, é o de reformulação constante; geralmente, a cada novo trabalho do grupo, é feito um processo de escolha para uma nova equipe, composta de diferente nomes, assumir a sua função, assim como também é feita a seleção de um novo diretor artístico, esse que é responsável pela condução do espetáculo, assumindo um mandato que pode durar de 3 a 4 anos. Desde então, a orquestra recruta inúmeras figuras importantes da música instrumental, não só francesa, para a elaboração de peças musicais extremamente sofisticadas e modernas, sendo também um dos seus compromissos a relação cordial com o grande público. Do mesmo modo, a ONJazz, de tempos em tempos, alista vários produtores, jornalistas e sindicatos/organizações profissionais, tudo na expectativa de revitalizar a música dita não-clássica, em especial o jazz, sempre sob o ideal de repaginação, de mudança.

Dividido em dois discos, Europa Paris é o início de uma trajetória musical que Olivier Benoit, novo diretor artístico da Orchestre National de Jazz, pretende tecer ao longo de seu mandato de 4 anos, um trajeto que planeja percorrer países europeus que serão a cerne criativa do disco, reproduzindo musicalmente a jornada turística. Pois a primeira dessas viagens, como exposta no título do álbum, foi a cidade de Paris, Benoit tece um retrato sensível da capital francesa pela proximidade que a transfere ao ouvinte, transpassa na música, no jazz, toda a movimentação e caos parisienses, passando uma imagem delicada através da crueza sustentada pela grande metrópole, nos detalhes, principalmente àqueles que nunca a visitaram, assim como a face real exposta aos nativos, estrangeiros em seu ambiente natural. Um feito e tanto, além de uma das experiências mais prazerosas que alguém poderia proporcionar em 2014, Europa Paris foi o ponta-pé inicial dessas viagens sensoriais que completam a jornada proposta por Olivier Benoit, e que ele continuará dando vida à frente dessa nova e incrível Orchestre National de Jazz. Certamente já me encontro de malas feitas e passagens compradas, só esperando o avião partir.

(Texto adaptado do original, publicado em novembro desse ano)

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1. Xiu Xiu – Angel Guts: Red Classroom

Não foi tarefa das mais tranquilas decidir o melhor disco desse ano, definitivamente não foi. Mas eis aqui o álbum dos álbuns, o suprassumo da música em 2014, aquele que foi o disco que mais escutei, em loop, até dizer chega; assim como o que mais me surpreendeu desde a primeira audição. Um aviso: Angel Guts: Red Classroom é desumano, sebento, imoral… Inclua aí todos os adjetivos negativos que você pode imaginar. Ok, certo. Inclua mais alguns outros. Pronto, esse é Angel Guts; no entanto, as classificações negativas aqui expostas, na realidade, possuem um valor raro que contradizem o seu aspecto pejorativo. Com inspiração em inúmeros temas controversos e obscuros da humanidade, que vão da criminalidade e violência das ruas de Los Angeles, a história de um edifício onde dois esqueletos de crianças foram encontrados, até o enredo de um filme erótico japonês de 1979, que inclusive dá nome ao novo álbum, Jamie Stewart e cia fazem de Angel Guts: Red Classroom um estudo dramático e horrificado sobre a face suja da sexualidade, do ser humano e suas insanidades mundanas, a mente psicótica de Jamie constrói um jogo cruel com elementos relacionados à vida, nascimento, sexo… Esses mesmos elementos aliados a questões relacionadas à morte, criminalidade, suicídio… Angel Guts: Red Classroom é, antes de tudo, uma obra apreensiva e sobrecarregada, emocionalmente desequilibrada, um pouco “difícil”, talvez, como quase toda a discografia da banda, mas incrivelmente fascinante sob sua concepção hostil do mundo-homem.

Por vezes Angels Guts alcança a excelência de A Promise, disco de 2003 e a obra-prima do grupo, estabelecendo uma carga psicodramática difícil, complicada, por vezes custosa de assimilar. A persona schizo-doentia de Jamie Stewart mais uma vez explora os limites do habitual com seu lirismo profano e despejado, assim como Angel Guts se aproxima da extasia arrebatadora da principal obra do grupo, em certos momentos conduzindo uma atmosfera tão ameaçadora quanto, aqui o que há é devaneio humano, é um cérebro desatinado e sem rumo tentando dialogar com seja lá quem for, com um ser que esteja disposto apenas a observar as obscenidades aleatórias de um cérebro em confusão, pensamentos à flor da pele de qualquer pessoa, de qualquer sujeito com o mínimo de discernimento de mundo e realidade. Pois, aproveitando o período que passaram juntos ao Swans durante a turnê de divulgação do álbum The Seer, o Xiu Xiu abraça aqui nitidamente as raízes musicais de Michael Gira, buscando na gênese do grupo nova-iorquino as suas referências para esse mais recente álbum, sendo a música industrial e o noise os estandartes desse regimento desatinado.

A linha tênue, que estremece entre a música e a não-música, e que é marca quase que indelével da banda, aqui, pode parecer menos perceptível diante de discos mais antigos e libidinosos dos californianos; no entanto, o grupo prossegue em seu processo de nivelamento do avant-garde e da música popular que é semelhante ao que o Pere Ubu seguiu ao longo de sua discografia, principalmente nos seus novos registros, tentando instaurar uma linha de raciocínio com as duas extremidades da arte. Mesmo assim, não se engane, Angel Guts: Red Classroom é uma obra extremamente excêntrica em sua proposta de desfiguração da realidade. O humor, que é igualmente uma das temáticas da obra, aqui, também trabalha em comunhão ao clima hediondo que Angel Guts faz questão de sustentar, por mais soturno e sujo que seja o disco, a banda se utiliza de tal imoralidade para estabelecer um deboche sórdido, descrente, ridicularizando o próprio modo de roteiro artístico, do jeito de cantar aos diversos traços estilísticos, buscando sempre elevar a música em uma condição cabalística quasi-kafkiana.

Tais floreios já são característicos do grupo, é verdade, mas ao longo do tempo isso tem se aperfeiçoado gradativamente, com destaque nos álbuns mais recentes, sendo um ótimo exemplo o controverso Nina, lançado no ano passado, com a proposta de ser um álbum só de reformulações propositadamente destroçadas das canções de Nina Simone: vocais choramingados em um complexo de agonia e aflição sob um avant-garde jazz como trilha de fundo, uma semi-heresia que acabou revelando preciosidades como essa. Pois bem, de volta ao que interessa: o culto-ensaio de Stewart a Marquês de Sade e Henry Miller, posso dizer que a banda fez de Angel Guts um exercício patológico sobre a condição humana, seus desejos e anseios, dramas e conflitos existenciais, Angel Guts me parece um corpo que se auto-mutila, faz tal atrocidade e acha graça da atitude masoquista, ri e chora sem saber o real motivo de tamanha desordem psicológica, é cruel e cômico ao mesmo tempo, atraente e igualmente repugnante, achamos graça, como um freak show libertino, onde os seus astros não possuem mais o mínimo discernimento da ordem e existência, passando um comportamento de completa insegurança e agonia, uma risada de desespero, que volta e meia se confunde com choro e tristeza, chegando enfim ao ápice do delirium onde os sentimentos já não são mais decifráveis, apenas reproduzidos. Há somente o caos.

(Texto adaptado do original, publicado em fevereiro desse ano)

 

[Top 100 com a capa dos discos]

Top 100

1. Xiu Xiu – Angel Guts: Red Classroom (8.5)

2. Orchestre National de Jazz – Europa Paris (8.5)

3. Epitimia – (Un)reality (8.5)

4. My Sad Captains – Best Of Times (8.5)

5. Foxygen – …And Star Power (8.5)

6. Plateau Sigma – The True Shape of Eskatos (8.5)

7. Nurse With Wound & Graham Bowers – Excitotoxicity (8.5)

8. Jack O’ The Clock – Night Loops (8.5)

9. Natural Snow Buildings – The Night Country (8.0)

10. Ulysse Carrière – Shallanews Wash (8.0)

11. Nadja – Queller (8.0)

12. Sylvie Courvoisier & Mark Feldman Quartet – Birdies for Lulu (8.0)

13. Kris Davis Trio – Waiting for You to Grow (8.0)

14. PoiL – Brossaklit (8.0)

15. Ambrose Akinmusire – The Imagined Savior Is Far Easier to Paint (8.0)

16. Various Artists – PC Music: Dead or Alive (8.0)

17. YG – My Krazy Life (8.0)

18. Anathema – Untouchable (8.0)

19. Burial Hex – The Hierophant (7.9)

20. Tanya Tagaq – Animism (7.9)

21. The War On Drugs – Lost in the Dream (7.9)

22. Nmesh – Dream Sequins® (7.9)

23. The Kurws – Wszystko co stale rozplywa sie w powietrzu (7.9)

24. Acid Mothers Temple – Astrorgasm From The Inner Space (7.9)

25. The Soft Pink Truth – Why do the Heathen Rage? (7.9)

26. Violeta Päivänkakkara – Kipinä (7.9)

27. Ichiko Aoba – 0% (7.9)

28. Cosmic Ground – Cosmic Ground (7.9)

29. Fennesz – Bécs (7.8)

30. Bologna Violenta – Uno Bianca (7.8)

31. Stein Urheim – Stein Urheim (7.8)

32. Triptykon – Melana Chasmata (7.8)

33. Nazoranai – The Most Painful Time Happens… (7.8)

34. Arditti Quartet – Pandora’s Box (7.8)

35. Thot – The City That Disappears (7.8)

36. Pyrrhon – The Mother of Virtues (7.8)

37. Eric Fourman – Timbre (7.8)

38. Surachai – Ritual (7.7)

39. Boris – Noise (7.7)

40. Jumalhämärä – Songless Shores (7.7)

41. Desmadrados Soldados De Ventura – Interpenetrating Dimensional Express (7.7)

42. John Eliot Gardiner – Easter Oratorio; Actus Tragicus (7.7)

43. NKVD – Hakmarrja (7.7)

44. Swans – To Be Kind (7.7)

45. Death Cab for Cutie Feat. Magik*Magik Orchestra – Live 2012 (7.7)

46. Seirom – And The Light Swallowed Everything (7.7)

47. poloniumcubes – one (7.7)

48. Hexis – Abalam (7.7)

49. B L A C K I E – Imagine Your Self In a Free and Natural World (7.5)

50. The Gloaming – The Gloaming (7.5)

51. Anonymous 4 – Love Fail (7.5)

52. Exit Oz – Impamantenit (7.5)

53. Fatal Nostalgia – Quietus (7.5)

54. Lux Occulta – Kolysanki (7.5)

55. Stara Rzeka – Stara Rzeka (7.5)

56. Deep Mountains – Lake of Solace (7.5)

57. Drekka – Ekki gera fikniefnum, (7.5)

58. John Luther Adams – Become Ocean (7.5)

59. Pharmakon – Bestial Burden (7.5)

60. Pharrell Williams – G I R L (7.5)

61. Los Random – Pidanoma (7.5)

62. Separatist – Closure (7.5)

63. Juçara Marçal – Encarnado (7.5)

64. Xiu Xiu – Unclouded Sky (7.5)

65. Have a Nice Life – The Unnatural World (7.5)

66. Quilt – Held in Splendor (7.5)

67. Battle Trance – Palace of Wind (7.5)

68. Mamaleek – He Never Spoke a Mumblin’ Word (7.5)

69. Celestial Trax – Paroxysm (7.5)

70. Ken Vandermark & Paal Nilssen-Love – Lightning Over Water (7.5)

71. Clean Bandit – New Eyes (7.5)

72. Robert Plant – Lullaby… and the Ceaseless Roar (7.5)

73. Current 93 – Channel (7.5)

74. Innercity Ensemble – II (7.5)

75. Teeth of the Sea – A Field in England: Reimagined (7.5)

76. Clouds Collide & Sleeping Peonies – Opalestial (7.5)

77. GFOTY – Secret Mix (7.5)

78. Keiji Haino, Jim O’Rourke & Oren Ambarchi – Only Wanting To Melt… (7.5)

79. Various Artists – PC Music x DISown Radio (7.5)

80. Ceticências – Branco (7.5)

81. Vitor Almeida Lopes – For the First Time, Look At the Flowers (7.5)

82. Alkerdeel & Gnaw Their Tongues – Dyodyo Asema (7.5)

83. Guillaume Perret & The Electric Epic – Open Me (7.4)

84. Aenaon – Extance (7.4)

85. Gazelle Twin – Unflesh (7.4)

86. Sea Oleena – Shallow (7.3)

87. Empyrium – The Turn Of The Tides (7.0)

88. Caribou – Our Love (7.0)

89. Hans Zimmer – Interstellar  (7.0)

90. Thy Worshiper – Czarna Dzika Czerwien (7.0)

91. Julian Casablancas + The Voidz – Tyranny (7.0)

92. Round – Glass (7.0)

93. MONO – The Last Dawn (7.0)

94. Linda Perhacs – The Soul of All Natural Things (7.0)

95. Mumdance – Springtime (7.0)

96. Death Grips – Niggas on the Moon: The Powers That B Disc 1 (7.0)

97. Especia – GUSTO (7.0)

98. Dosanjos – Vozes da Morte e o Inconsciente Que Me Assombra (7.0)

99. Saskia Sansom – Time Of My Own (7.0)

100. Tune-Yards – Nikki Nack (6.9)

 

Menções honrosas

Won James Won – Red Wedming (6.9)

Sieben – Each Divine Spark (6.9)

Big Blood – Fight for Your Dinner Vol. I (6.9)

Dead in the Manger – Transience (6.9)

Basarabian Hills – Groping In A Misty Spread (6.9)

Andante Agitato – The Lost Tapes 1969-2014 (6.9)

Black Bombaim – Far Out (6.9)

Markéta Irglová – Muna (6.9)

Andrew Bird – Things Are Really Great Here, Sort Of… (6.9)

Genocide Organ – KwaZulu-NaTaL (6.9)

Damaskin – Unseen Warfare (6.9)

Echoes – The Pursuit (6.9)

Phantom Orchard Ensemble –  Through The Looking Glass (6.9)

Jeff Burch – Jeff Burch (6.9)

Darkspace – Dark Space III I (6.9)

Pere Ubu – Carnival of Souls (6.9)

Deadlife – No Help Is Coming (6.9)

Cloak of Altering – Plague Beasts (6.9)

Torn Hawk – Let’s Cry and Do Pushups at the Same Time (6.9)

The Kik – 2 (6.9)

Samin Son – Orira (6.9)

Gesu no Kiwami Otome – 魅力がすごいよ (6.9)

Anne Hytta – Draumsyn (6.9)

Machine Girl – WLFGRL (6.9)

Emptiness – Nothing but the Whole (6.9)

Barry Guy New Orchestra – Amphi + Radio Rondo (6.9)

Lantern – Diavoleria (6.9)

Kazuki Tomokawa – Vengeance Bourbon (6.9)

Eric Fourman – Treatment (6.9)

Marie Möör, Gaspar Claus & Cia – Les vers de la mort (6.9)

Barulhista – Grushenka (6.9)

Old Man Gloom – The Ape of God II (6.9)

A Espiral de Bukowski – B1620-25i (6.9)

Excria Reverbera – Excria Reverbera (6.9)

Konec – Parallax (6.9)

Zara McFarlane – If You Knew Her (6.9)

Angles 9 – Injuries (6.9)

Shivers – Shivers (6.9)

LCC – d/evolution (6.9)

The History of Colour TV – When Shapes of Spilt Blood Spelt Love (6.9)

Babymetal – Babymetal (6.9)

Alice Glass – Dark Disco (6.9)

Spoon – They Want My Soul (6.9)

Mombojó – Alexandre (6.9)

Simon James Phillips – Chair (6.9)

Ulaan Passerine – Byzantium Crow (6.9)

Curtains – Breathe to Death (6.9)

Vashti Bunyan – Heartleap (6.9)

Baby Hitler – Hey Babe (6.9)

Grateful Dead – Wake Up to Find Out: Nassau Coliseum (6.9)

Odeya Nini – Vougheauxyice (Voice) (6.9)

Spoon – Inside Out/Rent I Pay/Do You (6.9)

Henry Homesweet – Luke’s Atari (6.9)

Rex – Possession (6.9)

The Neil Cowley Trio – Touch and Flee (6.9)

Maria Bethânia – Meus Quintais (6.9)

Pink Floyd – The Endless River (6.9)

Laibach – Spectre (6.9)

Korouva – Fever (6.9)

Baauer – ß (6.9)

Owen Pallett – In Conflict (6.9)

Clean Bandit – New Eyes – Spotify Session (6.9)

Throwing Snow – Pathfinder (6.9)

Raajmahal- Charybdis/Scylla (6.9)

UltraMantis Black – UltraMantis Black (6.9)

Borgore – #NEWGOREORDER (6.9)

Jaden Smith – Cool Tape Vol. 2 (6.9)

Brighter Death Now – With Promises of Death (6.9)

Full of Hell & Merzbow – Full of Hell & Merzbow (6.9)

Stolen Idols – Moonlight Offerings (6.9)

Lupe de Lupe – Quarup (6.9)

Cadu Tenório & Márcio Bulk – Banquete (6.9)

Ricardo Donoso – A Song for Echo (6.9)

Theologian – Parasitism Is Life (6.9)

Nurse With Wound – Lumb’s Sister (6.9)

Dave Phillips – Homo Animalis (6.9)

The Pop Group – Cabinet of Curiosities (6.9)

MC Livinho – Fruto Proibido (6.9)

Gog – Gog (6.9)

MC Bin Laden – MC Bin Laden (6.9)

Slow Dancing Society – The Cogent Sea (6.8)

Atomic Ape – Swarm (6.8)

Chingari – Bombay Makossa (6.8)

Fabrizio Paterlini – The Art of the Piano (6.8)

Serdce – Timelessness (6.8)

Milos Karadaglic – Aranjuez (6.8)

Electric Wizard – Time to Die (6.8)

Tayutau – Fune Ni Oyogu (6.8)

Issues – Issues (6.8)

Walter Roos – The 9th Dimension (6.8)

Burzum – The Ways Of Yore (6.8)

Deejay Deer – Deejay Deer (6.8)

Kant Freud Kafka – No Tengas Miedo (6.8)

Peter Pahor – Zed (6.8)

1349 – Massive Cauldron of Chaos (6.8)

Pawel Szamburski – Ceratitis Capitata (6.8)

Meridian Brothers – Salvadora Robot (6.8)

Worsen – Blood (6.8)

Barely Alive – Lost In The Internet (6.8)

Candles – ////Nova Subtraction (6.8)

Shellac – Dude Incredible (6.8)

Sébastien Tellier – L’aventura (6.8)

Shamir – Northtown (6.8)

Mechina – Xenon (6.8)

Adebisi Shank – This Is the Third Album of a Band Called Adebisi Shank (6.8)

Various Artists – Music From the Mountain Provinces (6.8)

Msza Święta w Altonie – Bezkrólewie (6.8)

Einstürzende Neubauten – Lament (6.8)

Psychic TV – Snakes (6.8)

Bruce Springsteen – High Hopes (6.8)

Leonard Cohen – Popular Problems (6.8)

Willow – 3 (6.8)

Aranis – Made in Belgium II (6.8)

Mr. Twin Sister – Mr. Twin Sister (6.8)

Old Man Gloom – The Ape of God I (6.8)

Kero Kero Bonito – Bonito Recycling (6.8)

Jeroen van Veen – Slow Music (6.8)

Seirom – Strandheem ’92 (6.8)

36 – Dream Tempest (6.8)

Anthroprophh – Outside the Circle (6.8)

Couch Slut – My Life As a Woman (6.8)

Lil Data – Sup (6.8)

Orchestre National de Jazz – The Party (6.8)

Cassio Figueiredo – Sujeito (6.8)

MC Pedrinho – Matemática (6.8)

Kovtun – Sleepwalking Land (6.8)

A Winged Victory for the Sullen – Atomos (6.7)

Muscle – The Pump (6.7)

Phish – Fuego (6.7)

Perfect Shapes – Planar (6.7)

William Tyler – Lost Colony (6.7)

Catalept – Diminished Souls (6.7)

Le1f – Hey (6.7)

Circa Survive – Descensus (6.7)

Steve Lehman – Mise En Abîme (6.7)

Jozef van Wissem & SQÜRL – Only Lovers Left Alive (6.7)

Bemônio – Lágrimas de Sangue e Fezes (6.7)

Keir Neuringer – Ceremonies Out of the Air (6.7)

Trepaneringsritualen – Perfection & Permanence (6.7)

The Black Keys – Turn Blue (6.7)

Milagres – Violent Light (6.7)

Epistasis – Light Through Dead Glass (6.7)

Emma Ruth Rundle – Some Heavy Ocean (6.7)

Grouper – Ruins (6.7)

Hanafugetsu – Ame ga Aketara (6.7)

Vahid Taj – Khatereh (Memory) (6.7)

Hookworms – The Hum (6.7)

David Wise – Donkey Kong Country: Tropical Freeze (6.7)

Melingo – Linyera (6.7)

Willie Nelson – Band of Brothers (6.7)

Wolves In The Throne Room – Celestite (6.7)

Su Wai – Gita Pon Yeik (6.7)

MONO – Rays of Darkness (6.7)

Ensemble Modern Orchestra – Ausklang (6.7)

Randomer – CCCP 10 (6.7)

Ariel Pink – Pom Pom (6.7)

Paving the Labyrinth – Polyopia (6.7)

Coni – Comfort Zone (6.7)

The Body – I Shall Die Here (6.7)

Camera – Remember I Was Carbon Dioxide (6.7)

Mindplotter – Depths (6.7)

Guided By Voices – Motivational Jumpsuit (6.7)

The Hotelier – Home, Like Noplace Is There (6.7)

FKA twigs – LP1 (6.6)

Hundred Waters – The Moon Rang Like A Bell (6.6)

Verlies – Le Domaine Des Hommes (6.6)

Trash Talk – No Peace (6.6)

6138 – Meta Matical Interferences (6.6)

Arrigo Barnabé, Luiz Tatit & Lívia Nestrovski – De nada a mais a algo além (6.6)

PsiloCybian – Brain Dissolver (6.6)

Untold – Black Light Spiral (6.6)

Solefald – Norrønasongen. Kosmopolis Nord (6.6)

Peste Noire – Dans ma nuit (6.6)

Misha Mishenko – Somnipedie (6.6)

The Black Cheating Spouses Meat Procession Caught On Tape – Queerviolence (6.6)

Michael Wollny Trio – Weltentraum (6.6)

iamamiwhoami – Blue (6.6)

Odraza – Esperalem Tkane (6.6)

Jack White – Lazaretto (6.5)

Myung-Whun Chung – Piano (6.5)

Röyksopp & Robyn – Do it Again (6.5)

Yumi Zouma – Yumi Zouma (6.5)

Giant Claw – Dark Web (6.5)

Anelis Assumpção – Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários (6.5)

Rome – A Passage to Rhodesia (6.5)

Iron Mind – Iron Mind (6.5)

O – When Plants Turn Into Stones (6.5)

Sunn O))) – LA Reh 012 (6.5)

Guardian Alien – Spiritual Emergency (6.5)

White Suns – Totem (6.5)

Dakota Suite & Quentin Sirjacq – There Is Calm to Be Done (6.5)

Tame the Lion – The Lion’s Mouth (6.5)

Julianna Barwick – Rosabi (6.5)

Le Moors – Multi-Filament (6.5)

Penguin Cafe – The Red Book (6.5)

Calvin Harris – Motion (6.5)

Taake – Stridens hus (6.5)

U2 – Songs of Innocence (6.5)

Tom Zé – Vira Lata na Via Láctea (6.5)

Thomas Larcher – What Becomes (6.5)

Sango – Da Rocinha 2 (6.5)

Parquet Courts – Sunbathing Animal (6.5)

Father Figure – Heavy Meddlers (6.5)

Paul Shapiro – Shofarot Verses (6.5)

Fushitsusha & Peter Brötzmann – Nothing Changes No One Can Change Anything (6.5)

Michael Cera – True That (6.5)

Collegium Vocale Gent & Philippe Herreweghe – Ich elender Mensch (6.5)

CHROMB! – II (6.5)

Young Fathers – Dead (6.5)

Ages – Rest Your Head (6.5)

L’Orange – The Orchid Days (6.5)

Ai Phoenix – Hey Now/Being Here Is Everything (6.5)

Wild Beasts – Present Tense (6.5)

South London Ordnance – Contact (6.5)

Sabbath Assembly – Quaternity (6.5)

Without Waves – The Entheogen (6.5)

Roll the Dice – Until Silence (6.5)

John Hollenbeck – JASS (6.5)

Asher Tuil – Preludes (6.5)

Asher Tuil – Prelude Studies (6.5)

Angra – Secret Garden (6.5)

385 – Mienai Uchuu (6.5)

Life Sim – This Life (6.5)

Ilya Beshevli – Night Forest (6.5)

Stop Motion Orchestra – Instant Everything! (6.5)

Musk Ox – Woodfall (6.5)

Anup Sastry – Lion (6.5)

Al’Tarba – The Sleeping Camp (6.5)

Matthew Halsall & The Gondwana Orchestra – When the World Was One (6.5)

Menace Ruine – Venus Armata (6.5)

Roma Amor – On The Wire (6.5)

An Autumn for Crippled Children – Try Not to Love Everything You Destroy (6.5)

Silent Cicada – Eigengrau (6.5)

Neon Cloud – Scar (6.5)

Deptford Goth – Songs (6.5)

Deadboy – Return (6.5)

Aden – Four (6.5)

Seabound – Speak in Storms (6.5)

Bölzer – Soma (6.5)

Xensez – Collage (6.5)

Beck – Morning Phase (6.5)

Andy Stott – Faith In Strangers (6.5)

Jachna/Tarwid/Karch – Sundial (6.5)

Claudio Curciotti – Field Abuse Volume 2: Muezzin/Imam (6.5)

Eric Church – The Outsiders (6.5)

Maurice Louca – Benhayyi Al-Baghbaghan (6.5)

Riverman – Almost Gone (6.5)

Odd Shapes – Intense Appreciation (6.5)

C.W. Stoneking – Gon’ Boogaloo (6.5)

Tielsie – Hueboy (6.5)

Tangerine Dream – Josephine the Mouse Singer (6.5)

Cube – Her Instrument (6.5)

Uyama Hiroto – Freedom of the Son (6.5)

Zappa/Mothers – Roxy by Proxy (6.5)

Godflesh – Decline and Fall (6.5)

Helena Tulve – Arboles Lloran por Lluvia (6.5)

Sun Kil Moon – Benji (6.5)

Christina Vantzou – Nº2 (6.5)

Keaton Henson – Romantic Works (6.5)

Vandelay Creative Graphics – Christ goes to Carrefour (6.5)

Schoolboy Q – Oxymoron (6.5)

Arcade Fire – Her OST (6.5)

Terra Tenebrosa – V.I.T.R.I.O.L. Purging The Tunnels (6.5)

Oneohtrix Point Never – Commissions I (6.5)

Thantifaxath – Sacred White Noise (6.5)

Todd Terje – It’s Album Time (6.5)

Ought – More Than Any Other Day (6.5)

Brian Eno & Karl Hyde – High Life (6.5)

Harrison Birtwistle – The Moth Requiem (6.5)

Nothing – Guilty of Everything (6.5)

Sam Smith – In the Lonely Hour (6.5)

Fire! Orchestra – Enter! (6.5)

Fire! Orchestra – Second Exit (6.5)

Former Employees – Former Employees (6.5)

Meredith Monk – Piano Songs (6.5)

Subway to Sally – Mitgift (6.5)

Iced Earth – Plagues Of Babylon (6.5)

Eels – The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett (6.5)

NAH – Forever Race (6.5)

Ensemble Arte Musica & Francesco Cera – Tenebrae Responsoria (6.5)

Lindsey Stirling – Shatter Me (6.5)

Justin Marc Lloyd – 229 (6.5)

KLMBRNG – Turnt Up on That Satan Vibe (6.5)

Hanafugetsu – Theme of (6.5)

Courtis/Moore – KPPB (6.5)

Nurse With Wound – Contrary Motion (6.5)

Sinoia Caves – Beyond the Black Rainbow OST (6.5)

Mohammad – Zo Rel Do (6.4)

Tadeo – A Container of Contradictions (6.4)

Scent of Silence – This Silent Distance (6.4)

Wreck and Reference – Want (6.4)

Jamie’s Elsewhere – Rebel-Revive (6.4)

The Ultra Electric Mega Galactic – Through the Dark Matter (6.4)

Poul Ruders – Nightshade Trilogy (6.4)

Current Value – Sonic Barrier (6.3)

Black Swan – Tone Poetry (6.3)

Survival Knife – Loose Power (6.3)

Gridlink – Longhena (6.3)

Dark0 – Amethyst (6.3)

Asia – Gravitas (6.2)

Evæl – Breath (6.2)

Isengrind – Underflesh (6.2)

The Jazz June – After the Earthquake (6.2)

Royal Blood – Out of the Black (6.1)

Ben Frost – A U R O R A (6.0)

Flaming row – Mirage-A Portrayal Of Figures (6.0)

Maximo Park – Too Much Information (6.0)

Cassie – Old Light (6.0)

The Hidden Cameras – Age (6.0)

Angel Olsen – Burn Your Fire For No Witness (6.0)

Maxïmo Park – Leave This Island (6.0)

Lamp – ゆめ (6.0)

Thou – Heathen (6.0)

Hard Working Americans – Hard Working Americans (6.0)

Tinariwen – Emmaar (6.0)

Wax Fang – The Astronaut (6.0)

Annabel & Dowsing – Annabel/Dowsing (6.0)

Racionais MC’s – Cores & Valores (6.0)

We Are Born of Those Who Came As 0000 – The Call of the 0000 (6.0)

Kate Carr – Subtropical to Temperate Oceanic (6.0)

Eiko Ishibashi – Car and Freezer (6.0)

Horrendous – Ecdysis (6.0)

Jacob Young – Forever Young (6.0)

Azealia Banks – Broke With Expensive Taste (6.0)

Earth – Primitive and Deadly (6.0)

Afternoon Brother – The Tobacco (6.0)

Murmur – Murmur (6.0)

Eco Virtual – ATMOSPHERES 第2 (6.0)

Freddie Gibbs and Madlib – Piñata (6.0)

Remember Remember – Forgetting the Present (6.0)

Pallbearer – Foundations of Burden (6.0)

Imarhan Timbuktu – Akal Warled (6.0)

Carla Bozulich – Boy (6.0)

Ambarchi, O’Malley & Dunn – Shade Themes From Kairos (6.0)

Love American – Hollow Crosses (6.0)

Panda Bear – Mr Noah (6.0)

Spectrical – Emergent Forms (6.0)

Odzew – Odzew (6.0)

Ut Gret – Ancestors’ Tale (6.0)

Keaton Henson – Romantic Material (6.0)

The Weather Station – What Am I Going to Do With Everything I Know (6.0)

Oran Etkin  – Gathering Light (6.0)

Girma Yifrashewa – Love & Peace (6.0)

Angus MacLise – New York Electronic, 1965 (6.0)

Kasai Allstars – Beware the Fetish (6.0)

Adeus – Pai (6.0)

Cadu Tenório – Cassettes (6.0)

 

Top 50 – EPs

1. Anathema – Untouchable (8.0)

2. Eric Fourman – Timbre (7.8)

3. Jumalhämärä – Songless Shores (7.7)

4. Vitor Almeida Lopes – For the First Time, Look At the Flowers (7.7)

5. poloniumcubes – one (7.7)

6. Stara Rzeka – Stara Rzeka (7.5)

7. Current 93 – Channel (7.5)

8. Clouds Collide & Sleeping Peonies – Opalestial (7.5)

9. Ceticências – Branco (7.5)

10. Celestial Trax – Paroxysm (7.5)

11. Mumdance – Springtime (7.0)

12. Round – Glass (7.0)

13. Samin Son – Orira (6.9)

14. Dead in the Manger – Transience (6.9)

15. Damaskin – Unseen Warfare (6.9)

16. Barulhista – Grushenka (6.9)

17. Konec – Parallax (6.9)

18. Spoon – Inside Out/Rent I Pay/Do You (6.9)

19. Henry Homesweet – Luke’s Atari (6.9)

20. Rex – Possession (6.9)

21. Korouva – Fever (6.9)

22. Baauer – ß (6.9)

23. Clean Bandit – New Eyes – Spotify Session (6.9)

24. Throwing Snow – Pathfinder (6.9)

25. Cadu Tenório & Márcio Bulk – Banquete (6.9)

26. Willow – 3 (6.8)

27. Deejay Deer – Deejay Deer (6.8)

28. Worsen – Blood (6.8)

29. Barely Alive – Lost In The Internet (6.8)

30. Shamir – Northtown (6.8)

31. Seirom – Strandheem ’92 (6.8)

32. Lil Data – Sup (6.8)

33. Cassio Figueiredo – Sujeito (6.8)

34. Kero Kero Bonito – Bonito Recycling (6.8)

35. Le1f – Hey (6.7)

36. Muscle – The Pump (6.7)

37. Randomer – CCCP 10 (6.7)

38. Epistasis – Light Through Dead Glass (6.7)

39. William Tyler – Lost Colony (6.7)

40. Coni – Comfort Zone (6.7)

41. Solefald – Norrønasongen. Kosmopolis Nord (6.6)

42. Peste Noire – Dans ma nuit (6.6)

43. Röyksopp & Robyn – Do it Again (6.5)

44. Yumi Zouma – Yumi Zouma (6.5)

45. Ages – Rest Your Head (6.5)

46. Tame the Lion – The Lion’s Mouth (6.5)

47. Julianna Barwick – Rosabi (6.5)

48. 385 – Mienai Uchuu (6.5)

49. Anup Sastry – Lion (6.5)

50. Al’Tarba – The Sleeping Camp (6.5)

 

Menções Honrosas

An Autumn for Crippled Children – Try Not to Love Everything You Destroy (6.5)

Silent Cicada – Eigengrau (6.5)

Neon Cloud – Scar (6.5)

Deadboy – Return (6.5)

Aden – Four (6.5)

Bölzer – Soma (6.5)

Riverman – Almost Gone (6.5)

Odd Shapes – Intense Appreciation (6.5)

Tielsie – Hueboy (6.5)

Tangerine Dream – Josephine the Mouse Singer (6.5)

Le Moors – Multi-Filament (6.5)

South London Ordnance – Contact (6.5)

Godflesh – Decline and Fall (6.5)

Terra Tenebrosa – V.I.T.R.I.O.L. Purging The Tunnels (6.5)

Oneohtrix Point Never – Commissions I (6.5)

Justin Marc Lloyd – 229 (6.5)

Tadeo – A Container of Contradictions (6.4)

The Ultra Electric Mega Galactic – Through the Dark Matter (6.4)

Current Value – Sonic Barrier (6.3)

Dark0 – Amethyst (6.3)

Evæl – Breath (6.2)

Royal Blood – Out of the Black (6.1)

Maxïmo Park – Leave This Island (6.0)

Annabel & Dowsing – Annabel/Dowsing (6.0)

We Are Born of Those Who Came As 0000 – The Call of the 0000 (6.0)

Kate Carr – Subtropical to Temperate Oceanic (6.0)

Panda Bear – Mr Noah (6.0)

Odzew – Odzew (6.0)

Love American – Hollow Crosses (6.0)

Cassie – Old Light (6.0)

Keaton Henson – Romantic Material (6.0)

The Weather Station – What Am I Going to Do With Everything I Know (6.0)

Adeus – Pai (6.0)

2 comentários em “Melhores discos de 2014

  1. Lucas
    13/02/2015

    primeira vez lendo esse blog e vejo xiu xiu em primeiro lugar numa lista de melhores do ano. vou começar a acompanhar isso aqui.

  2. Pingback: O muro de Europa Berlin | Papel Cult

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