Papel Cult

Faixa: Liturgy – Quetzalcoatl

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Retorno daquela que certamente é uma das bandas de black metal mais controversas da atualidade, disputando apenas, talvez, com o Deafheaven. Passados 4 anos desde o seu aclamado (e igualmente odiado) Aesthethica, o Liturgy retorna agora com novo single, “Quetzalcoatl”, apostando novamente em sua concepção única da música extrema, muito mais ligada ao math rock, ao noise, do que propriamente ao black metal. A ausência de guturais, a parte instrumental e mais, digamos… Climática do que exatamente violenta que o disco possui, acabam colaborando para esse aparente e gradativo distanciamento da vertente negra do heavy metal. O novo single, no entanto, também me passa uma imagem mais ameaçadora do que a apresentada em seu álbum anterior, apontando para um novo caminho que a banda pode futuramente assumir, sem maiores resistências ao experimentalismo de sua gênese. A estranha introdução da faixa, com sintetizadores seguidos da falta de vocais mais característicos ao gênero, assim como o instrumental, semelhante ao math rock quasi-shoegaze que expus anteriormente, aqui, acabam destacando aquilo que a banda nunca deixou de esconder em seus registros: a conformidade que possui com a cena alternativa/experimental, muito maior do que qualquer outro segmento.

Utilizando o que um amigo disse recentemente no Twitter, o Liturgy, realmente, às vezes, pode passar uma ideia de performance art que reconstrói (ou, no mais intenso dos discursos, destrói) os pilares e dogmas do heavy metal, em especial o black, transformando e o incluindo, digamos… Ao contexto mais apresentável de sua feição, algo menos impactante, eu diria, ou possivelmente um pouco mais acadêmico e fora dos preceitos que o cercamOk, não acho que seja tão intencional assim, me parece algo mais involuntário do que precisamente intencional, talvez por não ser tão caricato quanto outras vertentes que desvirtuam ainda mais o gênero, jogando-o ao corpo burlesco, espalhafatoso, como volta e meia ocorre no avant-garde, por exemploIronicamente, o pessoal do Liturgy consegue chamar mais atenção pelo seu bom comportamento, pelos retoques de elegância e não-grosseria em um gênero que não se preocupa muito com isso, sendo algo realmente positivo quando bem ornamentado, o que acaba ocorrendo razoavelmente bem aqui, como se um headbanger entrasse acidentalmente em uma balada alternativa e… Gostasse da experiência. Bem, “Quetzalcoatl” é reflexo de novos tempos, de novos ares, causar discórdia faz parte do processo. Sem problemas. Neste caso, simpatizo-me com a heresia.

Ficha

Artista: Liturgy

Ano: 2015

Álbum: The Ark Work

Origem: EUA

Gênero: Math Rock/Noise Rock

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Informação

Publicado às 21/01/2015 por em Faixas, Música e marcado , .
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