Papel Cult

Faixa: Muse – Psycho

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Novo single que parece representar uma tentativa meio atrapalhada de retorno ao período pré-Resistance, momento no qual o grupo passou a exibir cada vez mais a sua abordagem particular e megalomaníaca do rock progressivo, uma representação sem medo de exageros, sem receio de eventualmente soar próximo ao burlesco, espalhafatoso, circense… Por mais que aqui ainda seja evidente o espírito narciso-grandiloquente do trio (tudo é demais: guitarras, gritos e solos), Psycho ainda assim se sai bem menos estabanado que os últimos singles da banda, seja isso encarado como algo negativo ou não. Aqui, o encalço está na fórmula básica do hard rock, do riff fácil e solos de guitarra aos quatro ventos, no modelo saudosista do classic rock; os detalhes mais anômalos da canção, por sua vez, ficam apregoados ao discurso de uma figura à lá sargento Hartman de Full Metal Jacket, esse último que corta a faixa em diversos momentos, criando intervalos que incomodam pela falta de cuidado em sua função na música, fragmentos que evidenciam uma falta de controle/apuração do grupo e que deixam escapar uma possível menor participação nesse novo trabalho, isso enquanto processo de produção, deixando a cargo de Robert John “Mutt” Lange, produtor famoso por produzir bandas de hard rock nos anos 70 e 80, e mais recentemente figuras controversas da música pop como Lady Gaga e Nickelback.

Psycho parece cair no chavão de que a música “de verdade” está desaparecendo, quando o grupo, ao menos aqui, não possui as qualidades e armas necessárias para combater tal fantasia digna do intelecto da própria banda; é aquele mesmo discurso nostálgico de tio do rock, de que as guitarras estão morrendo, a música pop é o mal do mundo etc, etc, etc. Não é muito difícil de identificar isso quando se nota um aparente descontentamento do Muse analisando os seus dois últimos registros, trabalhos nitidamente pautados sob a estética do pop, ambos no espetáculo rock arena melodramático, do qual o trio sempre soube se sobressair como poucos na atualidade, numa espécie de ode à força travestida de catarse, no esforço e potência de suas representações, por mais questionáveis que elas possam parecer em certos momentos. Ainda que estejamos somente no começo de tudo, o que é bom e me faz esperar tudo com enorme cautela, a exemplo de como foi com o igualmente exagerado (e pop) The 2nd Law, Psycho já nos mostra o que toda banda desesperada por aprovação deveria fugir nessa busca boba pela chancela do senso comum: o regresso inútil ao período de magnificência. O Muse tenta isso aqui, não convence, não como deveria – aos menos a princípio. É preocupante, ainda mais quando trata-se de uma banda que parecia ciente dos próprios passos, dona de suas convicções artísticas, e que agora se sujeita ao domínio conceitual de suas tramas e conspirações. Your ass don’t belongs to me, Muse.

Ficha

Artista: Muse

Ano: 2015

Álbum: Drones

Origem: Inglaterra

Gênero: Hard Rock

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Informação

Publicado às 13/03/2015 por em Faixas, Música e marcado , , , .
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