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Faixa: David Hasselhoff – True Survivor

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True Survivor me parece interessante por inúmeros motivos, se parar um pouco pra analisar o seu contexto, no que ela se insere, toda a história razoavelmente recente que a música pop possui, a sua recepção de acordo com a crítica especializada da época, e a de hoje, é possível notar um enorme processo contraditório sob o contraste de pensamento que, em essência, não diz muitos sobre seus idealizadores, sobre o suposto falseamento de caráter revival que a canção possui; o contrassenso, na realidade, diz muito mais sobre os (críticos, obviamente) que julgam e sempre julgaram de forma equivocada. Lotada de referências low-tech, em um momento no qual, estranhamente, faz com que repensemos a utilização do termo, assim como a estética e parafernalhas saudosistas, principalmente dos anos 80, tempos de glamhard farofa, bandas AOR e afins com seus repertórios e canções de fácil assimilação, True Survivor, analisando boa parte do histórico musical contemporâneo, perante isso, seria somente mais uma canção no meio de tantas outras, no caminho do que é essa enorme disputa na música pop. Óbvio, se não fosse idealizada no contexto que vivemos atualmente, True Survivor seria somente mais um arbusto desprezado pela crítica, porém amado pelo público, na clássica concepção comum (e hoje quase que inexistente) do pop internacional; no entanto, como podemos notar, os tempos são outros, a exaltação dos anos 80, no presente, vive um embate singular e estranho até mesmo com a recente década de 90, em uma nostalgia bizarra e efêmera de momentos que mais parecem tangíveis aos olhos de quem não viveu um passado ainda material.

É interessante como o fator tempo da canção também funciona basicamente como um aditivo de extravagância, de singularidade, quando ela apenas retrata uma peça banal, do divertimento de outrora; e que hoje, entretanto, encontra-se descontextualizado do ambiente normal. É como se o que estivesse ali, na nossa frente, fosse algo raríssimo, quase em extinção, ou talvez um espetáculo circense de passagem, aqueles de curta temporada e que devemos desfrutar a cada instante, cada minúcia artística como se fosse um ultimato. Ora, a exaltação em torno de True Survivor diz muito mais sobre a hipocrisia da crítica, na sua ineficácia (quando a mesma representa ideais falsos, é bom que se diga), do que propriamente do público, de sua recepção (que sempre foi sincera); esse último, inclusive, apenas reage numa espécie de efeito dominó em resposta a assombração perante o objeto já banalizado na história da música pop, que sempre foi comum, e que nesse trânsito temporal acabou ganhando melhores atributos diante da amnésia que parece sofrer. Como exposto, em outros tempos, True Survivor seria, no máximo, tratado com indiferença. Hoje, todavia, causa espanto. Espanto seguido de divertimento, pela (óbvia) surpresa e percepção de sua graça genuína. A ideia talvez tenha seus motivos equivocados, é verdade, ao menos por boa parte da chancela crítica falsa e ególatra, mas ainda assim temos aqui uma boa e agradável canção. Boa na mesma medida de qualquer outra música e grupo pop do seu período, de qualquer outro fragmento nostálgico de uma fase injustamente percebida com olhos de descaso. Temos aqui um sobrevivente, raro, mesmo que às vezes o tempo (e a crítica) ainda insista em rejeitá-lo.

Ficha

Artista: David Hasselhoff

Ano: 2015

Álbum: Kung Fury OST

Origem: EUA

Gênero: Pop Rock

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Informação

Publicado às 22/04/2015 por em Faixas, Música e marcado , , , .
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